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Política cultural 14: Economia da Cultura 4


 Quando falamos em economia da cultura temos que pensar, digamos assim, de maneira econômica. É como se estivéssemos analisando outros setores mais “prosaicos” da economia, com o setor portuário ou o agronegócio. Quando falamos no setor portuário, sempre nos vem à mente os “gargalos” desse setor, ou seja, os problemas de infra-estrutura que impedem seu desenvolvimento e sua agilidade.
Pois é. Na cultura acontece do mesmo jeito. Podemos falar também em “gargalos” do setor cultural. Os três principais, a meu ver, são os seguintes:

- A concentração: os equipamentos culturais se concentram nas cidades maiores e, dentro delas, nos bairros centrais. Da mesma forma, os produtores culturais, bem como a oferta de matéria prima para a produção cultural e, também, a oferta de treinamento especializado são altamente concentradas, o que ressalta a aparência elitista da cultura e ativa formas de exclusão social e de violência simbólica.  
- A baixa capilarização: Não há cadeias de distribuição dos produtos, o que diminui a possibilidade de circulação de bens e, conseqüentemente, de trocas econômicas. Ações como festivais locais (municipais) ajudam, mas não efetivam uma troca permanente. É preciso aprender a capilarizar a cultura por via das escolas, dos pronto-socorros, dos hospitais, dos telecentros, das praças públicas, das igrejas, dos meios de transporte, dos centros de bairro e da polícia comunitária.

- A baixa especialização da mão-de-obra: Para agregar valor à cultura é necessário treinar melhor os agentes do processo. Não apenas artistas e produtores, mas também os intermediários culturais. É preciso qualificar a cadeia produtiva como um todo, permitindo, sobretudo, que os agentes culturais ganhem autonomia e desenvoltura para diversificar seu processo produtivo.

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