Pular para o conteúdo principal

Política de comunicação 26: 13 propostas para a Comunicação

A I Conferência Nacional de Comunicação (I Confecom), realizada em dezembro de 2009, produziu 672 diretrizes para a formulação de um novo marco legal para as comunicações. Se fosse destacar quais as mais importantes delas, relacionaria as 13 seguintes:


1. Colocar na Constituição Federal a afirmação de que a comunicação é um direito humano.
2. Criar e instalar o Conselho Nacional de Comunicação, com função formulativa e de monitoramento de políticas públicas para o setor.
3. Combater a concentração no setor, com a determinação de limites à propriedade horizontal, vertical e cruzada de meios de comunicação.
4. Garantir espaço para produção regional e independente.
5. Regulamentar os sistemas público, privado e estatal de comunicação, que são citados na Constituição Federal, mas que até hoje não foram definidos legalmente, delimitando reserva de espaço no espectro da radiodifusão para cada um destes;
6. Fortalecer os mecanismos de financiamento do sistema público de comunicação, inclusive por meio de cobrança de contribuição sobre o faturamento comercial das emissoras privadas.
7. Descriminalizar a radiodifusão comunitária e pela abertura de mais espaço para esse tipo de serviço, hoje confinado a 1/40 avos do espectro.
8. Definir regras mais democráticas e transparentes para concessões e renovações de outorgas de TV e rádio, visando à ampliação da pluralidade e diversidade de conteúdo.
9. Definir o acesso à internet banda larga como direito fundamental e o estabelecimento desse serviço em regime público, que garantiria sua universalização, continuidade e controle de preços.
10. Implementar instrumentos para avaliar e combater violações de direitos humanos nas comunicações.
11. Implementar mecanismos de monitoramento e combate à discriminação de gênero, orientação sexual, etnia, raça, geração e de credo religioso nos meios de comunicação.
12. Garantir a laicidade na exploração dos serviços de radiodifusão.
13. Proibir outorgas para políticos em exercício de mandato eletivo.

Comentários

Zé Gondim disse…
Fábio, mas é exatamente por causa dessas diretrizes tiradas na I Confecom que eles (a direita ensandecida...) estão propalando que é "a volta da censura", que a Confecom é contra a liberdade de imprensa e outras coisas que tais... Quase todos os países ditos desenvolvidos têm um marco regulatório das comunicações, por que o Brasil não pode ter o seu? Forte abraço
Zé Gondim

Postagens mais visitadas deste blog

Genocídio Yanomami: Bolsonaro não pode escapar

O mundo está estarrecido com com o genocídio Yanomami. As imagens chocantes atravessam o planeta e atestam o que todos já sabiam: houve genocídio. E não há como Jair Bolsonaro não ser imputado por esse crime.  Dados obtidos pela plataforma SUMAÚMA  mostram que, durante o governo Bolsonaro, o número de mortes de crianças com menos de 5 anos por causas evitáveis aumentou 29% no território Yanomami. Foram 570 crianças mortas, em 4 anos, por doenças que têm tratamento. E isso pode não ser tudo, porque o conjunto das terras indígenas em território brasileiro sofreu, ainda de acordo com o Suamúma, um verdadeiro apagão estatístico durante o governo de extrema direita.  O legado de Bolsonaro é um dos mais aviltantes da história do Brasil. Não é de hoje que as terras Yanomami, onde vivem quase 30 mil pessoas indígenas, são agredidas pela especulação do garimpo ilegal, da pecuária ou da cultura do arroz, mas nunca se viu um apoio tão grande do Estado brasileiro a essas atividades....

Solicitei meu descredenciamento do Ppgcom

Tomei ontem, junto com a professora Alda Costa, uma decisão difícil, mas necessária: solicitar nosso descredenciamento do Programa de pós-graduação em comunicação da UFPA. Há coisas que não são negociáveis, em nome do bom senso, do respeito e da ética. Para usar a expressão de Kant, tenho meus "imperativos categóricos". Não negocio com o absurdo. Reproduzo abaixo, para quem quiser ler o documento em que exponho minhas razões: Utilizamo-nos deste para informar, ao colegiado do Ppgcom, que declinamos da nossa eleição para coordená-lo. Ato contínuo, solicitamos nosso imediato descredenciamento do programa.     Se aceitamos ocupar a coordenação do programa foi para criar uma alternativa ao autoritarismo do projeto que lá está. Oferecemos nosso nome para coordená-lo com o objetivo de reverter a situação de hostilidade em relação à Faculdade de Comunicação e para estabelecer patamares de cooperação, por meio de trabalhos integrados, em grupos e projetos de pesquisa, capazes de...

Comentário sobre o Ministério das Relações Exteriores do governo Lula

Já se sabe que o retorno de Lula à chefia do Estado brasileiro constitui um evento maior do cenário global. E não apenas porque significa a implosão da política externa criminosa, perigosa e constrangedora de Bolsonaro. Também porque significa o retorno de um player maior no mundo multilateral. O papel de Lula e de sua diplomacia são reconhecidos globalmente e, como se sabe, eles projetam o Brasil como um país central na geopolítica mundial, notadamente em torno da construção de um Estado-agente de negociação, capaz de mediar conflitos potenciais e de construir cenas de pragmatismo que interrompem escaladas geopolíticas perigosas.  Esse papel é bem reconhecido internacionalmente e é por isso que foi muito significativa a presença, na posse de Lula, de um número de representantes oficiais estrangeiros quatro vezes superior àquele havido na posse de seu antecessor.  Lembremos, por exemplo, da capa e da reportagem de 14 páginas publicados pela revista britânica The Economist , em...