27 setembro 2010

Por que a atitude política do PSDB está sendo chamada de “neo-udenismo”?

Alguns analistas políticos, observando o clima de denuncismo e a postura moralista dos atores políticos da direita, notadamente do PSDB e o DEM, estão usando esse termo "neo-udenismo" para descrever o processo eleitoral em curso. Tentando explicar:

A União Democrática Nacional foi fundada em 1945, reunindo opositores de Getúlio vargas. Era um partido essencialmente paulista, formado por profissionais liberais e fazendeiros. Não tinha um projeto político claro e o que lhe dava força interna, ou seja, garantia sua união, era, basicamente, o discurso moralizante com matizes de indignação. A UDN via fantasmas por todo lado. Também se caracterizava pelo percurso na direção da direita, partindo de uma centro-esquerda teorizante, sem vínculo com as massas ou com os trabalhadores. Por exemplo: depois de ser a principal voz na defesa da criação da Petrobrás, nos anos 50, se tornou uma privativista feroz. Sua principal marca era o denuncismo exacerbado. Se algumas de suas denúncias eram corretas, a maioria, ao contrário, era de uma manipulação óbvia. O líder do partido, Carlos Lacerda, era exatamente isso: um sujeito com compromissos iniciais à esquerda que se converteu num denuncista feroz de fantasmas e vazios. Um grande manipulador. Essa prática do denuncismo estava baseada no controle dos principais grupos de comunicação de então. O movimento era produzir uma bombardeio incessante, com denúncias diárias, com o objetivo de criar um clima de exacerbação na opinião pública. Com isso, pretendia criar alianças com a sociedade civil, particularmente com juristas, de forma a legitimar o golpe tangente. 

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