Pular para o conteúdo principal

Por que a atitude política do PSDB está sendo chamada de “neo-udenismo”?

Alguns analistas políticos, observando o clima de denuncismo e a postura moralista dos atores políticos da direita, notadamente do PSDB e o DEM, estão usando esse termo "neo-udenismo" para descrever o processo eleitoral em curso. Tentando explicar:

A União Democrática Nacional foi fundada em 1945, reunindo opositores de Getúlio vargas. Era um partido essencialmente paulista, formado por profissionais liberais e fazendeiros. Não tinha um projeto político claro e o que lhe dava força interna, ou seja, garantia sua união, era, basicamente, o discurso moralizante com matizes de indignação. A UDN via fantasmas por todo lado. Também se caracterizava pelo percurso na direção da direita, partindo de uma centro-esquerda teorizante, sem vínculo com as massas ou com os trabalhadores. Por exemplo: depois de ser a principal voz na defesa da criação da Petrobrás, nos anos 50, se tornou uma privativista feroz. Sua principal marca era o denuncismo exacerbado. Se algumas de suas denúncias eram corretas, a maioria, ao contrário, era de uma manipulação óbvia. O líder do partido, Carlos Lacerda, era exatamente isso: um sujeito com compromissos iniciais à esquerda que se converteu num denuncista feroz de fantasmas e vazios. Um grande manipulador. Essa prática do denuncismo estava baseada no controle dos principais grupos de comunicação de então. O movimento era produzir uma bombardeio incessante, com denúncias diárias, com o objetivo de criar um clima de exacerbação na opinião pública. Com isso, pretendia criar alianças com a sociedade civil, particularmente com juristas, de forma a legitimar o golpe tangente. 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Solicitei meu descredenciamento do Ppgcom

Tomei ontem, junto com a professora Alda Costa, uma decisão difícil, mas necessária: solicitar nosso descredenciamento do Programa de pós-graduação em comunicação da UFPA. Há coisas que não são negociáveis, em nome do bom senso, do respeito e da ética. Para usar a expressão de Kant, tenho meus "imperativos categóricos". Não negocio com o absurdo. Reproduzo abaixo, para quem quiser ler o documento em que exponho minhas razões: Utilizamo-nos deste para informar, ao colegiado do Ppgcom, que declinamos da nossa eleição para coordená-lo. Ato contínuo, solicitamos nosso imediato descredenciamento do programa.     Se aceitamos ocupar a coordenação do programa foi para criar uma alternativa ao autoritarismo do projeto que lá está. Oferecemos nosso nome para coordená-lo com o objetivo de reverter a situação de hostilidade em relação à Faculdade de Comunicação e para estabelecer patamares de cooperação, por meio de trabalhos integrados, em grupos e projetos de pesquisa, capazes de...

Eleições para a reitoria da UFPA continuam muito mal

O Conselho Universitário (Consun) da UFPA foi repentinamente convocado, ontem, para uma reunião extraordinária que tem por objetivo discutir o processo eleitoral da sucessão do Prof. Carlos Maneschy na Reitoria. Todos sabemos que a razão disso é a renúncia do Reitor para disputar um cargo público – motivo legítimo, sem dúvida alguma, mas que lança a UFPA num momento de turbulência em ano que já está exaustivo em função dos semestres acumulados pela greve. Acho muito interessante quando a universidade fornece quadros para a política. Há experiências boas e más nesse sentido, mas de qualquer forma isso é muito importante e saudável. Penso, igualmente, que o Prof. Maneschy tem condições muito boas para realizar uma disputa de alto nível e, sendo eleito, ser um excelente prefeito ou parlamentar – não estou ainda bem informado a respeito de qual cargo pretende disputar. Não obstante, em minha compreensão, não é correto submeter a agenda da UFPA à agenda de um projeto específico. A de...

Genocídio Yanomami: Bolsonaro não pode escapar

O mundo está estarrecido com com o genocídio Yanomami. As imagens chocantes atravessam o planeta e atestam o que todos já sabiam: houve genocídio. E não há como Jair Bolsonaro não ser imputado por esse crime.  Dados obtidos pela plataforma SUMAÚMA  mostram que, durante o governo Bolsonaro, o número de mortes de crianças com menos de 5 anos por causas evitáveis aumentou 29% no território Yanomami. Foram 570 crianças mortas, em 4 anos, por doenças que têm tratamento. E isso pode não ser tudo, porque o conjunto das terras indígenas em território brasileiro sofreu, ainda de acordo com o Suamúma, um verdadeiro apagão estatístico durante o governo de extrema direita.  O legado de Bolsonaro é um dos mais aviltantes da história do Brasil. Não é de hoje que as terras Yanomami, onde vivem quase 30 mil pessoas indígenas, são agredidas pela especulação do garimpo ilegal, da pecuária ou da cultura do arroz, mas nunca se viu um apoio tão grande do Estado brasileiro a essas atividades....