07 outubro 2010

Entrevista sobre o curso Política e Comunicação


Reproduzo minha entrevista sobre o curso Comunicação e Política, que será ministrado na Escola de Comunicação e que pode ser acessada aqui.

Entrevista com Prof. Dr. Fabio Castro

A ECO abriu novas turmas para o curso de Politica e Comunicação, ministrado pelo Prof. Dr. em Comunicação, Fábio Castro*. Fizemos um rápido bate-papo com o Fábio sobre o tema do curso. Confira:

Fábio, qual o papel da política numa sociedade altamente midiatizada?

Se, por um lado, a expansão das malhas de comunicação, sobretudo da teia digital, permitem novas possibilidades para a política e para o debate público, a política, por outro lado, corre o risco de se tornar refém dos processos midiáticos e digitais. A televisão, por exemplo, com seu imediatismo e com sua superficialidade, criou uma cultura visual e cognitiva específica para a política, em geral empobrecendo-a e dogmatizando-a. Porém, a convergência midiática na direção do meio digital está chegando e tem potencial para mudar esse cenário. São oportunidades a debater. A política precisa ficar atenta e aproveitar essa oportunidade de fugir do cativeiro que a comunicação lhe impõe.

De que maneira o jogo de espelhos da comunicação modifica a postura dos sujeitos públicos?

A comunicação, tal como é praticada, cria ilusões sobre a posição social ocupada pelas pessoas, pelos lugares, pelos grupos sociais. Ao mostrar uma determinada realidade sem um esforço maior de contextualização, coisa que é uma prática midiática corrente, a comunicação acaba por provocar alguns deslocamentos na realidade e por criar, nas pessoas, a ilusão de que ocupam uma posição social que não é, efetivamente, a sua. Esse jogo de espelhos acaba criando papéis públicos deslocados, os quais são assumidos e replicados pela política.

Como está inserida a comunicação na sociologia política contemporânea?

É preciso inseri-la. A sociologia em geral, e a sociologia política em particular, precisam ser sensibilizadas para as dinâmicas próprias da prática comunicativa. Elas ainda não percebem a dimensão da comunicação como elemento de convergência e de promoção da sociabilidade contemporânea.
*Fábio Castro é Prof. da UFPa e Membro do Conselho Permanente da ECO.

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