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E por falar na Vale...

Para a série "Coisas que a imprensa brasileira não noticia, esquecendo sua função pública, porque se vendeu aos interesses privados": a greve de funcionários da Vale, durante um ano e meio, no Canadá. 

Essa greve terminou há poucos dias e durou, incrivelmente, um ano e meio. Foi feita por trabalhadores de uma importante mina de níquel que a Vale tem no leste do Canadá. E a Vale cedeu, após pressão do governo canadense. Os mineiros da Mina da Baía de Voisey, na costa do Labrador, aprovaram uma nova convenção coletiva, concluída na semana passada com a mediação de um árbitro governamental, de acordo com informação do Sindicato dos Metalúrgicos Unidos (USW). O novo contrato de trabalho, que entra imediatamente em vigor, com a duração de cinco anos (até janeiro de 2016), prevê aumentos salariais, uma indexação dos salários à inflação, o aumento da participação da empresa num fundo de pensão dos trabalhadores e melhorias nos prêmios de produtividade.

Já no Brasil, a poderosa mineradora continua gerando polêmicas no interior do governo Dilma Rousseff. Há consenso de que a empresa não faz os investimentos necessários no país. Ela apenas extrai os minérios para exportação, sem agregar valor aos produtos. Além de saquear as riquezas nacionais, a Vale é questionada por graves desvios na sua administração, que só servem para enriquecer seus milionários “acionistas”.

O site Carta Maior divulgou, aliás, mais uma denúncia contra a empresa. “A diretoria da mineradora Vale do Rio Doce, presidida pelo tucano Roger Agnelli, aprovou uma proposta de remuneração mínima aos acionistas – entre eles, alguns fundos de pensão do setor público – de US$ 4 bilhões para 2011”, publicou o site.

Esta “remuneração mínima” representa um aumento de 60% em relação ao retorno “mínimo” anunciado em 2010. O Brasil exportou em 2010 cerca de US$ 28 bi em minérios. A Vale foi responsável por US$ 24,04 bi desse total. O Carta Maior ainda apresenta os seguintes dados:

“O mesmo Brasil que drena seu minério para a China a US$ 90/100 a tonelada vai importar, em boa parte da própria China, 244,6 mil toneladas de trilhos, ao preço médio de US$ 864/t – entre oito e noves vezes o valor do minério bruto embarcado”.

“A montagem de uma fábrica de trilhos requer investimentos da ordem de US$ 1,5 bilhão. A ‘remuneração mínima’ aos acionistas da Vale prevista para este ano permitiria erguer uma fábrica de trilhos no país e ainda distribuir US$ 2,5 bi ao mercado. Por que isso não ocorre? Porque o marco regulatório do setor autoriza a espoliação das riquezas nacionais sem contrapartida ao desenvolvimento”.

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