08 junho 2011

Anatonia dos últimos momentos de uma crise

1. O dia de ontem começou, em Brasília, com a reunião de Dilma com seu chefe de Gabinete, Giles Carriconde, e com o secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho. Nessa reunião foi decidido passar uma mensagem a alguns aliados, dizendo que até o fim do dia o caso Palocci estaria decidido: ou ele ficava ou sai. De quebra, o ministro Luiz Sérgio poderia sair também, ao mesmo tempo - como, aliás, desejava Lula. Giles e Gilberto passaram a manhã cumprindo essa tarefa.
2. Na noite de segunda-feira, depois que o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, anunciou o arquivamento do pedido de investigação contra Palocci, o ex-ministro conversou com o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza. Falou também com o líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves. Juntos, avaliaram que Palocci deveria ir ao Congresso. O ministro aceitou sob condições: que a oposição não apresentaria nem mais um requerimento para convocá-lo e não haveria CPI.
3. Na hora do almoço, quando Dilma recebeu o PTB no Alvorada, os líderes ainda negociavam a possível ida de Palocci ao Congresso. 
4. Por volta das 15h30, quando todos voltaram do almoço do PTB, Palocci e Dilma souberam pelo líder do PT no Senado, Humberto Costa, que fracassara a tentativa de editar uma nota de apoio, proposta pela senadora Marta Suplicy (PT-SP). Para completar, a CPI angariava novas assinaturas, e chegou a 26, faltando apenas uma para sua instalação no Senado. Assim, Dilma decidiu que Palocci não tinha mais como permanecer no cargo.
5. A ida de Gleisi para a Casa Civil começou a se desenhar às 15h. A senadora tinha acabado de passar pelo plenário do Senado, quando avisou a assessores mais próximos: iria se ausentar da Casa para resolver um "probleminha".
6. Os congressistas souberam logo no início da noite, depois que Palocci telefonou para os parlamentares avisando que estava fora do governo. Ele foi conversar com a presidente às 17h. O encontro durou 50 minutos. Ao final, a presidente mandou soltar um comunicado oficial dizendo que "aceitou e lamenta" a perda de "tão importante colaborador".
7. Da conversa com Dilma, Palocci retornou ao seu gabinete para preparar o discurso que fará hoje, na transmissão do cargo a Gleisi. 
8. Dilma então chamou Luiz Sérgio para uma conversa. A ala que ele representa dentro do PT ainda tentava segurá-lo, mas o destino é incerto, com grande possibilidades de deixar o cargo. Interlocutores do Planalto informam que a presidente, inclusive, já estuda nomes para o lugar dele. Afinal, como Gleisi vai cuidar da gestão, Dilma precisará de alguém forte e com liderança à frente do Ministério de Relações Institucionais.

9. Dilma pretende substituir ainda o ministro de Relações Institucionais, Luiz Sérgio, e reformular toda a coordenação política do governo. Mas, primeiro, quer a Casa Civil bem voltada para a gestão dos programas de governo. E até o final da semana, deve acertar a política, que tem problemas desde que o início da gestão.
10. Gleise Hoffman retornou do Palácio do Planalto às 19h30, já ministra-chefe da Casa Civil e falou com a imprensa. Nessa fala, resumiu qual será sua função como ministra e qual será a nova lógica da Casa Civil: "A presidente Dilma quer o funcionamento da Casa Civil na área de gestão. Serão ações de gestão, de acompanhamento dos projetos de governo."
Com dados de O Globo e o Estado de S. Paulo.

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