13 setembro 2011

Crônicas canadenses 6: Chiken Wings

Crônica 6
Chiken wings
Toronto não merece louros por sua culinária. Obviamente se encontram bons restaurantes étnicos: hindus, paquistaneses, orientais de todas as cores e alguns bem exóticos – se não, propriamente, bons. Há também grandes restaurantes de comida internacional e de alta gastronomia, os quais não conheci, mas meu amigo Rayan, da Arábia Saudita, foi a um que, de tão reservado, sequer estampa o nome na entrada: é, simplesmente, uma porta comum – que se abre para um mundo caro e exclusivo. Pagou 500 dólares por um jantar para ele e a mulher; e sem bebida alcoólica, já que sua religião o interdita. Porém, esses lugares especiais não contam para o dia-a-dia do bem-comer, no que retornamos ao ponto de que Toronto não merece louros por sua culinária.
O prato local é, simplesmente, chicken wings – asas de galinha. Pouco, não? E as variações não são muito sofisticadas: regular spiced, spiced, spicy, really spicy, very high spicy, suicide spicy e, para variar realmente, molho de alho doce (sweet garlic). O conceito local para boa comida parece derivar da quantidade de pimenta no prato. Como eu sou daqueles que considera a pimenta fundamental, mas muito, muito estranho usar pimenta a ponto de interferir no gosto do alimento, confesso que fiquei decepcionado.
Um dia resolvi experimentar o segundo prato típico local: ribs, costeletas de porco. Mas a variedade de molhos é exatamente a mesma, e também não me entusiasmei. O que pode chamar atenção é a promoção “All you can eat Ribs” – algo como pague 20 dólares para comer todas as costeletas que conseguir, até a hora do bar fechar. Acontece às quartas-feiras, num bar chamado Shoeless Joe´s, isso mesmo Joe Descalço, na King Street West. Ou então a mis-en-scene das garçonetes do Hooters, na Queen Street West, que servem as chiken wigns de lá em trajes sumaríssimos (era verão) e são capazes de dar um abraço carinhoso e trocar números de telefone com o cliente que conseguir devorar, sem cerveja, uma porção acompanhada pelo molho suicide spicy.
Bares, bem, dessas coisas há aos montes, e dos bons, em Toronto. O melhor, sob meu humilde ponto de vista, é o Molly Bloom, na College St, próximo à livraria da Universidade. Na região da Queen Street West há do que se perder. Vários têm apresentação de bandas de rock ou jazz. Sempre ao vivo. Sempre de boa qualidade. Por exemplo, The 360 Club, The Horse Shoe Tavern e The Black Bull Tavern.
O Irish Embassy Pub, na Yonge, logo saindo da Front Street é caro, mas é, segundo me disseram, o único lugar de todo o Canadá a vender a famosa cerveja Alexander Keith, a original, bem entendido. O cardápio anuncia que há três anos recebe o título de “melhor pub de Toronto”.
Bom, ficam as dicas. E peço outras, a quem as tiver.

3 comentários:

Anônimo disse...

Professor, que coisa não! Um país tão rico, tão desenvolvido e o prato típico é isso?! Credo! Mas, mudando de assunto, como é esse tal de molho de alho doce? Fiquei curiosa.

Anônimo disse...

Hummm! Mas olha, acho que as asinhas de lá são diferentes; falam inglês, são multiculturais e congelam no inverno!
Sara Sarita.

Anônimo disse...

Olha, mas as fotos tão deliciosas! ai, ai, ai, ai quero comer, seja lá o que for, com essa aparência até pode me enganar.
Lívia.