12 dezembro 2011

Considerações sobre a não-divisão do Pará

E eis que o Pará continua unido, como era previsível. 

Não há nada de transcendental nisso, como alguns farão crer, mas é a decisão certa, do ponto de vista económico, politico e social. É a escolha mais sensata, ainda que imensas populações da regiões secessionistas, seduzidas por promessas mentirosas de que suas vidas iriam melhorar, no caso da divisão, pensem o contrário. 

O plebiscito deixa muitas lições. Faço algumas considerações ligeiras sobre elas: 

1. Os projetos secessionistas foram gananciosos e inexcrupulosos: tentaram abocanhar o que podiam ao remanescente Pará, e, principalmente por isso, perderam. Foram desmascarados nessa sua ambição. Aliás, duplamente desmascarados, porque o desmascaramento da ganância do desenho desvelou, em seguida, a máscara dos políticos por trás dos projetos, inexcrupulosos em seus interesses. 

2. Ficou evidente que os políticos do Sim contavam que somente as regiões separatistas fossem votar. Como a área remanescente também votou, como, aliás, foi legítimo, o projeto se configurou inviável desde suas origens. 

3. Essa esperteza dos políticos do Sim demonstram que projetos de redivisão territorial não devem, nunca mais, ser feitos por políticos. 

4. Propostas de divisão territorial devem partir de estudos sérios e consolidados, e devem levar em conta o equilíbrio geopolítico causado pela pretensa divisão territorial, não apenas nas áreas secessionistas e remanescentes, mas em toda a federação. 

5. Propostas de divisão devem ir, sempre, a plebiscito; é a única maneira de legimitar questões graves como essa. 

6. A sociedade civil deve participar mais amplamente do encaminhamento dessas questões. Deixar as decisões referentes às escolhas de comunicação, dos pleitos, nas mãos de políticos, amesquinha o debate. 

7. O debate sobre a divisão foi pobre e não ajudou a construir um projeto de futuro, um projeto de sociedade, para o Pará. 

8. Não obstante, houve um efeito de mobilização social importante nas regiões do Pará remanescente. 

9. A coesão social produzida pode caminhar para a catástrofe, se a tônica dominante continuar sendo pautada pela afirmação intolerante de uma pretensa identidade unitária, sólida e imóvel. 

10. A metafísica do “paraensismo” pode vir a ser o grande mal amazônico do século XXI, porque o plebiscito, tal como foi conduzido, a legitima. 

11. O debate político precisa ser pautado, na próxima década, por propostas de integração do estado. 

12. Integração não significa interiorização e nem municipalização. É preciso inventar novas fórmulas políticas e econômicas para o Pará. 

Tenho fé no futuro do Pará, mas também sou extremamente cético. Enquanto a politica for feita enquanto marketing ela será a encenação reducionista da banalidade. Enquanto a sociedade civil não consolidar novos espaços públicos para a interação e para a reflexão, a política será a arte da ignorância. Enquanto não houver, propriamente, uma ação comunicativa norteando a política, os discursos permanecerão vazios, sofistas, medíocres.

Um comentário:

Anônimo disse...

O que tu dizes de mais de 90% da população das regiões de Carajás e Tapajós votando a favor da criação de seus estados?
Como um "democrata de esquerda" vê o desejo de emancipação de outras regiões?
Bom, nosso Parazão continua grande, injusto, desigual; mas para quem gosta da coisa grande, está tudo certo.
Mas em matéria de tamanho, os amazonenses continuarão dizendo que o (estado) deles é maior...