É conhecido o pensamento de Paul Ricoeur de que não é possível historiar o presente. Enquanto atores de uma história em curso, não teríamos o distanciamento e a imparcialidade necessários para compreendê-la em suas formas gerais ou perceber nela seus motivos e fundamentos, eventualmente mascarados pelas ideologias, ilusões e perspectivas dominantes em vigor. Estando imersos nesse presente – num tempo que ainda não se constituiu em história – seria, portanto, impossível falar sobre a história. Porém, se não é possível historiar o presente, será possível, certamente, observá-lo e, talvez, intuí-lo. Por intuí- lo pode-se dizer vivenciá-lo, constituí-lo enquanto experiência sensível. Narrá-lo. É nesse sentido que a sociologia compreensiva e fenomenológica que vislumbro converte-se, ainda, numa prática etnográfica: narrar o que nos submerge, resgatando a compreensão – e a intuição – de um todo ainda complexo.
Há alguns dias a jornalista Ana Célia Pinheiro, do blog A Perereca da Vizinha anunciava que começaria uma guerra contra a comunicação do Governo Jatene : Vamos agora jogar num rítmo novo, com algumas “surpresinhas” – ou vocês não gostam de surpresinhas, “coleguinhas”? “Coleguinhas” é um coloquialismo usado pelos jornalistas de Belém para se referirem, com cinismo, ao cinismo de seus colegas, dos quais não se costuma esperar senão o fogo amigo. Os posts começaram, em seguida, construindo um perfil de Orly Bezerra , proprietário da Griffo, a agência de publicidade responsável pelo marketing do PSDB no Pará. Hoje, Ana Célia Pinheiro publicou um post com o levantamento dos repasses de dinheiro público do Governo Jatene para a Griffo : R$ 70 milhões - e penduricalhos, como empregos a parentes. O post também questiona a idoneidade do processo licitatório que levou a Griffo a mais uma situação de dominação das contas da comunicação governamental, no Pará...
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