24 dezembro 2011

Gárgulas de Paris: imagens de natal

Por alguma razão inconsútil, associo as gárgulas de Paris ao Natal. Jamais, provavelmente, saberia porque. Mas encontrei, na internet, este livro, que se tornou objeto de meus desejos natalinos.

É que São Louis, no século XIII, a respeito dos operários que fabricavam a Sainte-Chapelle, disse que eles não trabalhavam para que os homens se beneficiassem de sua arte, mas para o olhar de Deus.

Um olhar discreto, como se sabe.

E que porta, igualmente como se sabe, privilegiadamente, sobre catedrais. Estas e aquelas, mas principalmente as de Paris - a filha mais velha da Igreja, como se dizia. E bem alto.

Por algum tempo colecionei gárgulas em Paris: as da Torre João Sem Medo (Jean-sans-Peur), as no hôtel Artois-Bourgogne, e as de Saint-Jacques-de-la-Boucherie - para quem não sabe a mais alta torre, com sino, da "rive droite". Uma coleção de veres, de olhares, de memórias.

Se o fato de ser casado com uma pessoa que estuda essas coisas da arte constitui-me um benefício, já que sempre há uma nformação curiosa a meu dispor, para que eu sonhe mais, e melhor, a respeito de minhas fantasmagorias passadas, não é sem derrisão que recordo, de minhas próprias e íntimas leituras, o quanto Goethe e o quanto Chateaubriand, para nem dizer V. Hugo, portaram suas considerações a respeito dessas formas tão estranhas, discordando, nesse processo, e tanto, do espírito moderno que deveria ter sido seu.

Pelo que entendi, lendo as críticas que se fizeram a respeito deste livro, ele trata "dos limites da arte medieval", de uma Paris vista de cima, decididamente um assunto a respeito de fantasmas e de projeções. É pensando neste livro que espero ter um Natal bem assombrado.

E desejo a vocês, leitores e visitantes deste blog, um bom Natal. Assombrado de coisas boas, se quiserem. Não assombrado, e com coisas boas, se preferirem.




Um comentário:

ILIKE CHOPIN disse...

Nada sei sobre a vida cultural de París. Mas sei que essa figuras dos Gargulas são marcante. Gostava muito do filme, mas diferente da sua vida da representação dessas figuras, me sentia culpada, acho-as carregadas de sombiedade. Não me reflete luz, por isso sua nalogia foi pesada.Mas sua visão de mundo.Não consigo relacionar figuras fantasmagoricas á festa natalina.Mas quem somos para dizer qual direção seguir na certeza da verdade.
Bom Natal feliz Natal pra si...e família....