06 dezembro 2011

Magistrado santareno explica aos contrrâneos por que vota no Não.

Reproduzo artigo do ilustre dr. Carlos Mendonça, publicado no blog O Mocorongo, de Ércio Bemeguy.

Esclarecimento aos eleitores do Plebiscito

Por Carlos Mendonça, magistrado aposentado da Justiça do Trabalho, santareno e paraense:

Temos que reconhecer: não atravessamos uma época de construir, em nossa História. Em todo o Brasil, os projetos só visam embolçar, se dar bem, os que se transformam em seus mentores. Aquinhoar, com pouco esforço: da noite para o dia, em vez de progredir no decorrer de uma vida demosntrativa de seu valor. Ou não! Esta é a questão que desejam remover com esse e outros passes mágico. Tudo sob uma crosta de hipocrisia, que não engana mais ninguem, além dos que pensam que vão ser beneficiados. Então, a tarefa é envolver o máximo de pessoas nessa ilusão: três governadores, com suas cortes e incontaveis secretarias (como hoje os ministérios federais) a serem distribuidas, à mãos cheias. Tres conjuntos de senadores e deputados federais, com seus assessores e funcionários, incontáveis. Três câmaras de deputados, idem, idem. Tribunais disso e daquilo recheados de cargos. Repartições diversas. Há de sobrar algo para mim, ou para o meu filho. O resto é desmatamento sem retorno, para plantação de capim e soja por mineiros e gauchos, com tratores e colheitadeiras e defensivos venenosos contra as ervas, sem ao menos deixar lugar para trabalho dos interioranos, que sem emprego, incharão as pequenas cidades. No fim, evidentemente, virá a desilução, quanto perceberem que somente 1% ou 2% foram aquinhoados. Para o resto, sobrou a obrigação de pagar a conta.


O desmembramento de Macapá, de Roraima, de Rondonia comprovaram que dividir, não tráz progresso. Além do que, aquelas divisões não foram feitas nesta nossa época do "se dar bem". Conscientemente foram quotas de sacrifício. O objetivo era proteger o território nacional, para o Brasil (ao contrario de separá-lo do Brasil , como a Raposa Serra do Sol e outras), entregando à União Federal, primeiro como Territórios Federais e depois como Estados, quando jamais desenvolvidos, aqueles pontos totalmente despovoados de nossas fronteiras. Quanto a parte que nos toca, Macapá, mesmo esgotando o manganês da Serra do Navio, esperimentou com a separação, apenas na capital, desenvolvimento menor do que Santarém, ou Castanhal, ou outras cidades, Assim mesmo, graças a Zona Franca do Sarney.

O desenvolvimento do Pará deve ser entendido, como uma evolução harmoniosa e feliz, apropriada para a nossa região especial. O padrão da satisfação do povão com a vida que leva, pode ser constatado na ausência de correntes migratorias de miseraveis ou carentes, para se aventurarem nas outras regiões, ao contrário dos nordestinos, mineiros e baianos e agora gauchos, os atuais taxistas e sub-empregados no Rio, São Paulo, e outras cidades. Somente paraenses em boa situação econômca e aposentados (raros, assim mesmo) ousam viver no Leste, mas logo voltam. Doutores interioranos do Baixo-Amazonas e Tocantins, especializam-se em São Paulo e retornam na proporção de 90%. Sinal da boa vida que o Pará lhes oferece.
Dividir, será entregar aos desmatadores forasteiros que estão por trás e pela frente do movimento, a faca e o queijo. Dentro em pouco, desejarão fazer o mesmo no Estado do Amazonas. Transformar ricos territórios, em terras que nem são capazes de conte-los, como seus estados natais.

Árvores adultas, devem mesmo ser exploradas, antes de envelhecerem e cairem podres. A exploração de nossos recursos vegetais vem sendo feita desde remotas eras, de maneira tão apropriada e proveitosa, que nós nem percebemos. Grandes e famosas serrarias em Belém, Santarém, Óbidos, Alenquer, Castanhal e outras eram uma prova disso. As residências de madeira, tão fescas e ecolôgicas dos antigos bairros do Marco Pedreira, Jurunas e do interior, demonstram seu bom aproveitamento. Legiões de trabalhadores ganhavam seu sustento com a atividade. As madeiras mais grossas, separadas umas das outras pela floresta vírgem eram derrubadas e transportadas em caminhões, para serem serradas. Sem comprometer a bio-diversidade.

A primeira obra da devastação, promovida pela economia desmatadora forasteira, aconteceu nos Castanhais do rio Tocantins. O estrativismo, a colheita e venda da castanha até e principalmente para a Inglaterra, foi substituida pela derrubada e queimada indiscriminada dos castanhais. E de sua substituição pelos capinzais. O que era a economia de uma população, com a colheita e transporte, pois os castanhais eram do Estado do Pará, passou a ser economia de poucos fazendeiros. Lembram-se das castanheiras? Das mulheres que trabalhavam nas grandes fábricas de descascar castanha no bairro do Reduto? Desapareceram... Restam somente as paredes das fábricas e das tecelagens.
Dever de honra, é esclarecermos nossos eleitores.

Um comentário:

Marise Rocha Morbach disse...

Belo artigo, escrito com paixão. Concordo com ele inteiramente! Nada de divisões! Queremos reflexão, isso sim!