29 maio 2012

uma teoria geral para o espalhamento de boatos em redes sociais


De Silvio Meira / Terra MAgazine, via Luis Nassif.
É segunda de manhã, acabou o fim de semana, você leu o título e está achando que ainda estou na farra [ou de brincadeira]. é isso não, é sério e a história é a do título: cientistas acabam de descobrir –e provar, matematicamente- porque os boatos se espalham rapidamente em redes sociais. o artigo está neste link e uma nota explicativa sobre ele neste outro. se quiser, vá ler. senão, veja abaixo.
tudo tem a ver com os grafos de ligações preferenciais, as redes de conexões geradas ou explicadas pelo modelo de albert-barabási. as equações, como a que estima a probabilidade de haver uma conexão entre duas pessoas que têm k e l"amigos" numa rede social…
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…não são pra mostrar pras crianças, mas no fundo a explicação para a velocidade da boataria é simples, como quase toda matemática útil.
quando alguém entra numa rede social, é muito mais provável que se conecte a uma pessoa que já tem muitas conexões do que a outra que tem poucas. isto é o que o modelo de albert-barabási diz: em redes como as de conexões sociais [como faceBook e orkut] quem já é "rico" em conexões fica ainda "mais rico" à medida que mais gente entra na rede. isso porque todo mundo procura se conectar a quem já está conectado, pois todos querem participar do "vibe" do lugar e os agentes identificados com o espírito da rede tendem receber muito mais conexões do que quem está na sua periferia.
o modelo para análise do espalhamento de boatos em redes sociais parte do princípio que há rumores interessantes o suficiente para se tornarem conversa entre conhecidos. se eu sei de um boato, eu lhe digo. e vice-versa. e você vai fazendo a mesma coisa com conhecidos seus que eu não conheço  e eles com os deles, rede afora. o mesmo é verdade para notícias que têm amplo interesse. ainda mais, o modelo assume [e esta é a base do resultado teórico] que quem tem muitas conexões [os hubs da rede] não participa das conversas sobre o boato, apenas "espalha" a coisa para suas muitas conexões. quem tem menos conexões e mais tempo para cada uma delas e acaba servindo de "ponte" entre dois agentes que têm muitas conexões. desta forma, o boato [ou notícia] se espalha pela rede, sem que exista qualquer "organização" ou "projeto" deliberado para sua distribuição.
sim, mas rápido é quão rápido? olhe o gráfico abaixo: no primeiro momento, três pessoas sabem "da coisa". daí a 11 intervalos de tempo [uma medida teórica, que seria traduzida em minutos, dezenas de minutos, horas, ou ainda, na prática, em "rodadas" de interação na rede...] mais de um milhão de "nós" –ou pessoas, numa rede social de verdade- já saberiam do boato.
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a teoria [em vermelho, no gráfico acima] explica redes como orkut [em verde] e faceBook, mas não é tão boa para twitter, como mostra a previsão e a realidade mostradas no gráfico a seguir. boatos se espalham muito mais rapidamente em redes como twitter, que parece ser uma rede “de boatos” [ou de notícias] por excelência. tudo indica que precisa de um modelo específico [veja este].
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conclusão? boatos se espalham muito mais rapidamente em redes sociais do que se pensava até agora. redes como faceBook [de relacionamentos mais estruturados] têm velocidade de espalhamento muito maior do que se pensava mas bem menor do que outras, como twitter, que parece ser uma rede de efemérides.
daí, se você quer espalhar algo [sobre um produto ou serviço, e não um boato...]rapidamente e manter a conversação rolando, a teoria confirma o que muita gente já sabe na prática: que se deve provocar um "viral" na primeira rodada pelo twitter e continuar a conversa, de forma muito mais organizada, pelo faceBook, usando o twitter pra realimentar, vez por outra e em larga escala, o que está acontecendo lá no faceBook do seu produto ou marca. nada mais prático do que uma boa teoria…
[PS: para saber mais, leia este linkeste aquieste e, depois, este.]
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