20 junho 2012

Notas sobre a Rio+20

Nenhuma surpresa na Rio+20. Mas alguém espera o contrário? 
Em síntese: vitória da burocracia e derrota do bom senso.
Na busca por consenso, foi preciso ceder até à exigência do Vaticano para retirar do texto menção a direitos reprodutivos. Até ao Vaticano!
A ministra dinamarquesa do Meio Ambiente, Ida Auken, traduz bem o ponto de vista da diplomacia internacional:
- Este não é o melhor acordo do mundo, mas é um acordo para um mundo melhor.
Belas frases que fazem as gentes rodopiarem em torno do próprio eixo.
Tudo bem que há uma decisão de fortalecer o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e outra para criar o Fórum do Desenvolvimento Sustentável, na sede da ONU.
Mas isso é tão pouco!
Para o diretor da Campanhas do Greenpeace Brasil, Marcelo Furtando, o documento aprovado ontem "joga fora as metas que estavam presentes em documentos anteriores, que já eram poucas. Estamos saindo da Rio+20 numa situação ainda pior do que aquela em que entramos na Rio 92". 
Carlos Rittel, coordenador do programa de mudanças climáticas e energia da WWF Brasil, se disse indignado, porque as discussões sobre formas de financiamento foram jogadas para 2014 e as metas dos objetivos do desenvolvimento sustentável, para 2015.
A coisa realmente interessante é o acordo entre os prefeitos de 59 metrópoles mundiais que integram a rede C40 (Cities Climate Leadership Group), que anunciaram a intenção de diminuir em 45% a perspectiva de emissão de gases que contribuem para o efeito estufa até 2030. 
O comunicado fala no potencial de redução de 1,3 bilhão de toneladas, atingindo em 18 anos, quantidade de gases poluentes menor do que se produz hoje. 
Esse consumo equivale, por exemplo, à emissão do México e do Canadá juntos. 
Em 2010, segundo o prefeito de Nova York e presidente do C40, Michael Bloomberg, as cidades do grupo emitiram 1,7 bilhão de toneladas de dióxido de carbono. 
Se nada estivesse sendo feito, estima a rede mundial, a emissão de gases chegaria a 2,3 bilhões de toneladas em 2020 e a 2,9 bilhões de toneladas 10 anos mais tarde.

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