25 julho 2012

Diário de Bordo 33


Dia difícil que chega ao fim. Acordei cedo, mas mais tarde do que devia e, sem tomar café, apressei-me para a reunião na ufpa. Reunião pesada, lenta, gordurosa. Interrompida para que me chamassem ao telefone, para avisar que meu pai sentia-se mal: É sobre o estado de saúde do seu pai, dizia o recado. Marina resolveu o problema, chamou os médicos, arejou os ares, indagou da enfermeira o caso preciso. Meus irmãos estão fora de Belém esta semana e, na minha casa, meu pai prossegue mal, muito mal. Meus três gatos o observam, revesando-se na curiosidade que possuem. Terminada a reunião, discutimos meu pedido de saída para o pós-doutorado. Me irrita, profundamente, toda tentativa de manipulação de informações. Todo o ridículo dos mal-ditos de corredores. Isso estraga meu dia, acumulando o ranço angustiante da saúde do meu pai. Para completar, minha cunhada telefona e narra a história de uma moça que acabou de morrer, de câncer, aos 21 anos, deixando três filhos, de 4, 2 anos e um de 6 meses. Era empregada doméstica e as crianças estão na casa de sua irmã, também ela empregada doméstica. Meu irmão telefona. Madame Charland envia um email com um monte de tarefas a a dar conta, visando o pos-doc. A tarde, preparo-me para viajar para Macapá. Passarei o dia de amanhã em Macapá. Talvez não. Telefonam no começo da noite avisando que estou na lista de espera. Terei de esperar o vôo das 21h. Ou então o das 03h, o que der. Uma longa, longa noite, me espera. Pausa. Vou, volto e embarco para Santarém. Estou penando em como serão cheios os próximos dias. Estou aqui no areoporto, esperando eternamente. Todos em Macapá estão voltando de suas férias. Não tem lugar para mim no avião. Vou esperar o próximo vôo. Quem sabe terei sorte. Umas duas horas de espera. Começo a sentir uma obtusa vontade de tomar uma fanta uva, mas isso seria comovente demais, se não fosse demais ridículo. Ligo para casa. Meu pai está dormindo e os gatos o observam num revesamento ritual.

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