09 novembro 2012

A tese de Marcello Gabbay sobre o carimbó de Soure

Participei, na última quarta, na UFRJ, da banca de doutorado do professor Marcello Monteiro Gabbay, apresentada ao Programa de Comunicação e Cultura dessa universidade. A tese tem por título "O carimbó marajoara. Apontamentos para um conceito de comunicação poética na geração de valor comunitário" e consiste num esforço gigantesco em sistematizar a história e o processo da experiência social do carimbó no município de Soure.

A banca foi deliciosa: Marcello desenvolveu questões novas, à partir de provocações da banca e apresentou um vídeo que deu vida aos muitos personagens presentes no texto. Os colegas que estiveram comigo na banca foram o Paes Loureiro, o Michael Herschmann, o Muniz Sodré e a Raquel Paiva, orientadora do trabalho - os três últimos da UFRJ.

Na minha arguição, além de algumas questões levantadas para o Marcello, registrei o que me pareceu ser as contribuições not;aveis que o trabalho traz para a pesquisa sobre cultura e comunicação na Amazônia:

1. A arqueologia do carimbó, com as informações recolhidas sobre seu uso social, suas práticas locais e sobre as cenas sucessivas de sua história e com destaque para três aspectos:


o   A descrição dos terreiros de carimbó nas fazendas marajoaras;
o   A descrição dos fundamentos musicais do carimbó;
o   A discussão sobre o uso do banjo.

2. A explicação sobre as dinâmicas de transculturalidade, hibridez e integração cultural da cena midiática amazônica, sobretudo a descrição dos percursos culturais – Caribe, Colômbia, Angola, etc.

3. O debate sobre a midiatização do carimbó.

4. A disposição em dialogar com os intelectuais sourenses, em aprender com eles, dando voz a uma “sociologia das emergências” com a qual se contrapõe a uma “sociologia das ausências” - na linha de Boaventura de Souza Santos.

o   E, junto com isso, a disposição pós-estruturalista do trabalho  – sempre louvável.

5. O diálogo com a sociologia da másica weberiana – aberto, e aparentemente ainda não conluído,

o  bem como a disposição em confrontar essa sociologia musical weberiana com a sociologia musical adorniana.

6. A exploração dos laços sociais vitais, comunitários, gerativos, de Soure.

7. O debate sobre o adensamento dos territórios culturais – um debate que dialoga com a cena cultural belemense atual, muito vibrante.

Recomendados a publicação do trabalho. Aguardem e não percam.

Um comentário:

Anônimo disse...

Como um rapaz de Soure e colecionador do que se escreve sobre o lugar, espero que este trabalho esteja em breve disponível no sitio da UFRJ.

Ernani Chaves