12 janeiro 2013

Umas notas sobre o ano de 2013 para o governo Dilma


A pesquisa CNI/Ibope feita entre os dias 6 e 9 de dezembro, afirmou, mais uma vez, a boa aprovação do governo Dilma: 62% das pessoas o consideram “ótimo” ou “bom” e 78% aprovam seu trabalho. A presidenta chega à metade de seu mandato com índices de avaliação melhores que a de qualquer um de seus antecessores, no mesmo período.
A mídia dominante explica essa situação de maneira simplista, por meio do bordão “É a economia, estúpido!” – ou equivalente. Se a economia vai bem, o governo vai sendo aprovado. Uma explicação que trai o preconceito conservador que considera que a avaliação política feita pelo “povão” é exclusivamente intuitiva e capaz de produzir raciocínios unidimensionais.
As raízes dos altos índices de aprovação do governo são uma equação complexa. Não vou explorá-la, mas é preciso lembrar que ela é complexa e que se deve a bem mais que a conjuntura econômica.
Levando isso em consideração, o prognóstico básico para 2013 é extremamente favorável para o governo.
Mas uma coisa é o que o Governo espera; e outra o que pode esperar. O que o Governo espera ficou claro com o discurso de apresentação do plano de logística feito pela presidente Dilma, no último dia 20 de dezembro. Vocês viram? Ele teve uma mensagem objetiva sobre a visão de conjuntura do governo. Decompondo o discurso de Dilma à sua essência, pode-se dizer que seu plano de governo tem três pontos:
1. Acabar com pobreza extrema;
2. Preparar um salto para economia cada vez mais competitiva;
3. Melhorar a educação, vista como a ponte que une os dois objetivos.
Disse a Presidenta: “Precisamos de um país capaz de gerar ciência, tecnologia e inovação, mas ninguém vai fazer isso achando que é possível segregar um grupo de brasileiros e dizer esse vai ser o inventor, o cientista. Ou o país inteiro tem possibilidade de criar, ou nós não seremos um país que passará para outra etapa do desenvolvimento”.
É uma visão de mundo que reproduz a política de inclusão social de Lula, com acréscimo de uma perspectiva logística.
Dilma também definiu, nesse discurso, o que entende por competitividade da economia. Disse que competitividade não se baseia em apenas um fator, mas em um conjunto sistêmico de medidas.
Além da estratégia de logística propriamente dita, Dilma deu uns “cacos” do que espera que venha junto com ela: a redução da carga tributária, a redução dos juros e o avanço gradativo das taxas de câmbio.
Em 2012 o governo conseguiu definir um marco regulatório para portos. Espera fazer o mesmo, em 2013, para os aeroportos e a aviação comercial. O governo espera aumentar a eficiência, diminuindo a reserva de espaço das grandes companhias. Sugere também a possibilidade de abrir linhas de crédito para novas companhias. Além disso, assinala o marco estratégico que será usado para promover a aviação regional: a União se incumbe da infraestrutura se estados e/ou municípios assumirem os custos da operação.
Tornar a economia cada vez mais competitiva passa, é claro, pelo plano de investimentos de R$ 133 bilhões em infraestrutura rodoviária e ferroviária a serem feitos nos próximos 25 anos, tanto por meio de investimentos diretos do poder público como por meio de concessões comuns, patrocinadas e administrativas, as chamadas PPPs.
A maior parte desse pacote, R$ 79,5 bilhões, será realizada nos próximos cinco anos, o que garante o dinamismo da ação do Governo e, mesmo que a conjuntura econômica internacional seja desfavorável, um impulso vital para o equilíbrio da economia interna.
Apesar do oportunismo golpista da grande mídia conservadora, uma parte imensa das elites brasileiras apoiam e tendem a continuar apoiando a presidência do PT – o modelo petista. Não por razões ideológicas, é claro, mas simplesmente porque é beneficiária dos R$ 350 bilhões em empréstimos do BNDES, feitos ao longo dos anos Lula.
E quanto ao oportunismo golpista de parte das elites e da mídia, bem..., sendo isso um fato evidente, há que se considerar que, não obstante, há no país, também, uma direita conservadora, mas também democrática, que ambiciona o poder dentro do horizonte do jogo democrático.
As peças do xadrez político que se joga em 2013 estão dispostas favoravelmente à Dilma, com grande potencial para que os efeitos negativos eventuais e possíveis sejam mitigados pela gordura acumulada pelo Governo.
São tão favoráveis que o horizonte tático que se joga, na oposição – e mesmo entre os apoiadores governistas que se preparam para uma disputa futura de poder – é 2018.

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