24 março 2013

Crônicas Canadenses 9: St. Paddy's Day


Crônica 9: 
St. Paddy's Day


Todo mundo gosta dos irlandeses. Eles são alegres, brincalhões e afetuosos. São também solidários e generosos. São o que os brasileiros gostariam de ser, ou o que gostam de dizer que são – mas não vou entrar em detalhes de psicologia social e de tipos ideais. Gostaria apenas de comentar o St. Patrick’s Day, ou o Paddy’s Day que ocorreu no domingo passado.
Saint Patrick é o padroeiro da Irlanda. Na Irlanda e em todas as cidades do mundo que possuem fortes comunidades irlandesas, ocorre uma festa pública. É o caso de Montreal. Durante quase todo o dia uma das principais ruas da cidade, a Sainte-Catherine, é fechada para as festas. Tudo começa com uma parada, aberta por uma estátua de isopor gigantesca de St. Patrick. Seguem-se três horas de desfile, que reúne todas as instituições, associações e empresas irlandesas da cidade.
Desfila todo mundo: padres irlandeses, políticos irlandês, astros e misses irlandesas, bandas, atletas e uma pancada de velhinhos e velhinhas, os oldies: alguns em cadeira de rodas, homenageados por batalhões de jovens que disputam a honra de empurra-lo, e outros em carros de luxo. Todos acenando. As calçadas ficam cheias de gente. É o Paddy Day de Montreal.
E todos os bares e restaurantes das proximidades participam: inventam pratos, dão descontos e oferecem hectolitros múltiplos de cerveja irlandesa. O dia, aliás, é hidratado à cerveja.
Aqui em Montreal essa festa acontece desde 1824. O historiador Don Pidgeon afirma, no entanto, que já se comemorava o Paddy's Day, de maneira mais privada, sem a parada, em 1759.
Alguns dizem que que a parada de Montreal é a mais antiga da América do Norte, mas como revelou, há alguns anos, o New York Times, isso não é verdade: a parada americana do Paddy’s Day de Nova York acontece desde 1762, ou seja, 14 anos antes a independência americana. E dá para ir ainda mais longe: o Paddy’s Day de Boston é comemorado desde 1737, embora de maneira descontínua, durante vários anos dos séculos XVIII e XIX.
As estimativas dizem que cerca de 500 mil imigrantes irlandeses se instalaram em Montreal durante todo o século XIX. Um número desses marca uma cidade. Sua casa era o bairro de Grifftown, hoje um espaço histórico, também conhecido, aqui, como The Griff.
Percebendo o Paddy’s Day vejo como a cultura irlandesa é penetrante em Montreal. A Irlanda torna Montreal ainda mais católica e ainda mais boêmia.
O que é tradicional, côté boison, é beber ceveja escura e whiskey – não raro juntos. Aliás, saiba-se que é o único dia do ano que a lei autoriza as pessoas a beberem na rua. Os irlandeses são reputados pela boêmia. Aliás, já providenciei minha lista de irish pubs, para ir visitar. O mais conhecido é o McKibbins, frequentado por centenas de estudantes da McGill University, mas há vários outros: o Hurley’s, na famosa Crescent Street (a rua mais badalada de Montreal); o Ye Olde Orchand, no bairro intelectual do Plateau; o McLeans, que garante não ter “preços ultrajantes” e o Irish Embassy, famoso por suas fish & chips. Já conhecemos alguns, com destaque para o Irish Pub, na avenue Saint-Laurent.
Mas por hora, voltemos a Paddy. A festa marca o dia da sua morte. Patrick foi um missionário cristão morto no ano 387. Aos 16 anos ele havia sido capturado e tornado escravo. No cativeiro, tornou-se muito religioso e seis anos depois conseguiu retornar para sua família. Não sei os detalhes, mas ele se tornou missionário e foi o responsável pela conversão de dezenas de milhares de irlandeses ao catolicismo.
Sim, e tem a história das cobras. Bom isso é confuso, mas se sabe que ele livrou o país das serpentes. Não entendo direito, mas ainda que as evidências arqueológicas indiquem que não há serprentes na Irlanda há pelo menos 10 mil anos, sabe-se que ele livrou a Irlanda das serpentes.
Pode ser uma metáfora. Talvez isso significa os druidas, os pagãos, os bretãos místicos de antigamente. A cambada sem Deus. Por aí.
Tem-se que ele foi morto, martirizado, em 17 de março (seu dia) do ano 461 ou 493 – conforme a fonte. Foi queimado em frente à catedral Down, em Downpatrick, contado de Down.
A Irlanda tem outros dois patronos, além dele: St Brigid of Kildare and St Columba, mas Patrick é o xuxu dos irlandeses.
Seus símbolos são a cor verde e o shamrock, uma plantinha simpática, que também é o símbolo da Irlanda. Shamrock é o que chamamos por trevo – mas não é o trevo de quatro folhas, ao qual atribui-se, como se sabe, o condão da sorte. Só que também traz boa sorte.
Ok guys, é isso mesmo, todo trevo dá boa sorte. Basta ser trevo.
Contanto verde.
Fábio Fonseca de Castro

2 comentários:

teste disse...

Prof. Fábio, me chamo Alessandra Souza. Sou formada em Comunicação Social (Publicidade) e Administração, ambos pela UFPa. Possuo certificação B2 em francês nos testes DELF e TEF e também estou em processo de imigração para a província do Québec. Já trabalhei em departamento de marketing de um grupo de comunicação em Belém e atuei por quatro anos (até 2012) na assessoria de comunicação de uma autarquia federal em Belém, onde sou servidora pública. Gostaria, se possível, de sua ajuda ou orientação para me inscrever no processo para cursar mestrado na Université de Montréal - cidade que conheci em 2010 - na área de comunicação corporativa. Qualquer ajuda será muito bem-vinda. Desde já, obrigada. Meu email: aleferreira@gmail.com

Fabio Fonseca de Castro disse...

Prezada Alessandra,

Boa escolha. Montreal é um centro de excelência na área da comunicação institucional. Veja este site, da UdeM, feito especificamente para futuros alunos brasileiros, sobre os procedimentos de candidatura e inscrição: http://www.futursetudiants.umontreal.ca/brasil/index.html

Abços,
Fabio.