14 agosto 2013

Aliança do PT com o PMDB é sintoma de alheamento da realidade e dos compromissos históricos da esquerda.

Longe do Pará e sobrecarregado de trabalho e sem pretender aprofundar no assunto, relaciono algumas observações sobre o cenário que se forma:

1. É descabido, despropositado e politicamente inconsequente o PT não ter candidato ao Governo do Estado. Se assujeitar a um papel secundário é uma autocondenação política que terá consequências graves por mais de uma década.

2. O cálculo político de uma chapa PMDB-PT é certamente equivocado, porque o 1o turno das eleições demanda a variedade de atores para enfraquecer o oponente. É mais fácil bater o PSDB com duas chapas do que somente com uma.

3. O "alinhamento" ao PMDB não tem nenhuma legitimidade, pois não é, claramente, a vontade da militância do partido; ele fere os princípios do debate interno, da construção coletiva e da suposta democracia partidária.

4. Esse "alinhamento", caso ocorra, significa bem mais que uma "composição de poder": é uma alienação política maior, uma fantasia burocrática que dissimula os interesses pessoais e paroquiais do partido.

5. E por falar em paroquialismo, fica evidente que o PT paraense precisa abandonar o seu paroquialismo e criar, enfim, um projeto coletivo. Esse paroquialismo - devia dizer, esse comadrialismo - esvaziou o governo Ana Júlia e as candidaturas de Mário Cardoso e Alfredo Costa à prefeitura de Belém. Precisa-se de estrutura num partido, estrutura de poder interno com, evidentemente, mecanismos de mobilidade para os agentes desse poder.

6. Além de estrutura, precisa-se de conteúdo. Tem-se conteúdo no PT, mas disperso, fragmentado por esse mesmo paroquialismo-comadrialismo. É preciso projetos e programas muito claros, muito bem esquematizados, para evitar as falhas e lacunas de planejamento que se acumularam nas experiências do partido no executivo.

7. Além de estrutura e conteúdo, precisa-se de narrativa: uma narrativa que posicione o partido com os diferenciais que já são seus e que ele pouco utiliza e que, também, o posicione como um partido com compromissos de esquerda. O poder demanda narrativa. A narrativa do poder é a sua condição política.


8. Demandar estrutura, conteúdo e narrativa significa reorganizar, renovar, o PT do Pará. É evidente que as coisas não vão bem. A construção política da "não-candidatura" é um sintoma evidente de alheamento, das liderancas que o propõem, da realidade do Pará e dos compromissos históricos da esquerda.

Um comentário:

Anônimo disse...

A política de esvaziamento político do PT, posta em prática pelo seu Campo Majoritário, tem o objetivo mesmo de permitir que as tendências e mandatos parlamentares operem sua política de forma paroquial e clientelista.

Desde 2002, quando Lula beijou a mão de Jader, o PT paraense quer pagar a dívida assumida por aquele com este. Infelizmente para a direção do PT, a aconjuntura e a militancia do partido não permitiram. Para isso, João Batista esvaziou o PT, levou o partido a uma derrota histórica em 2012 na capital e se prepara para acabar com o PT em 2014.

A "inteligência política" do PT não percebe que o partido será fragorosamente derrotado com esta aliança. Um bom exemplo disso é o que aconteceu no Maranhão.

Hoje quem mais torce para que esta aliança ocorra, por incrível que possa parecer, não é Helder, mas sim Edmilson e seu PSOL. Ele tem arrebanhando a base social descontente do partido e se prepara para ser deputado federal com uma votação histórica.