Outra pessoa querida que se vai e o exercício da memória que se postula, promete, transcende. Morreu hoje minha tia-avó Alice, muitíssimo querida e lembrada. Ficam suas saudades, que sempre me falaram de uma Belém de muitas décadas atrás, muito melhor de viver e cheia de milhares de histórias - de uma Belém empobrecida pelo pós-látex que, no entanto, era muito melhor deviver do que a Belém que tenho. De uma Belém que era preciso deixar. Deixar e partir para longe. Deixar para sobre(viver). De uma Belém sebastiana. Audentes fortuna juvat, então se dizia. Já fui colecionador das histórias da tia Alice, sempre incrivelmente espirituosas, cheias de riso, bom-humor, entre-linhas, ironias, agrumes e de frutas-de-concórdia. Saudades!
O mundo está estarrecido com com o genocídio Yanomami. As imagens chocantes atravessam o planeta e atestam o que todos já sabiam: houve genocídio. E não há como Jair Bolsonaro não ser imputado por esse crime. Dados obtidos pela plataforma SUMAÚMA mostram que, durante o governo Bolsonaro, o número de mortes de crianças com menos de 5 anos por causas evitáveis aumentou 29% no território Yanomami. Foram 570 crianças mortas, em 4 anos, por doenças que têm tratamento. E isso pode não ser tudo, porque o conjunto das terras indígenas em território brasileiro sofreu, ainda de acordo com o Suamúma, um verdadeiro apagão estatístico durante o governo de extrema direita. O legado de Bolsonaro é um dos mais aviltantes da história do Brasil. Não é de hoje que as terras Yanomami, onde vivem quase 30 mil pessoas indígenas, são agredidas pela especulação do garimpo ilegal, da pecuária ou da cultura do arroz, mas nunca se viu um apoio tão grande do Estado brasileiro a essas atividades....

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