19 março 2014

E se o vôo da Malasya Airlines tivesse sido vítima da síndrome de Amok?

O sumiço do vôo da Malasya Airlines tem ativado as imaginações. Numa sociedade midiatizada e globalizada, as hipóteses reproduzem os temas comuns que são recorrentes nas narrativas jornalísticas, ficcionais e na cultura trivial da vida quotidiana. O sequestro do vôo por terroristas e por óvnis, um conflito de “dimensões” superpostas no espaço-tempo, desintegrações “trans-gravitacionais” e uma incrível materialização de “Lost”, o seriado, na telerrealidade têm sido temas evocados, em simultâneo, por gente séria e por gente, digamos “maluca”.
Bom, podemos botar mais lenha na fogueira: E se um dos pilotos (ou os dois) tivessem sucumbido à síndrome de Amok?
Trata-se de uma síndrome cultural, uma doença psiquiátrica, que já apaixonou cientistas e escritores – por exemplo, Stefan Zweig, que se baseou nela para escrever “Amok. O louco da Malásia”.
Essa doença foi estudada por Georges Duvereaux, o fundador da ethnopsiquiatria e está presente no imaginário cultural da região, da Indochina às ilhas do Pacífico, passando pela Indonésia, Malásia, Filipinas etc. O termo designa uma repentina fúria assassina, que acomete um indivíduo que se julga humilhado e que reage a esse sentimento “incorporando” o espírito de um guerreiro vingador e matando o maior número de pessoas ao redor e em seguida cometendo o suicídio. Ela faz referencia a Amok, personagem de um conto tradicional da região, um guerreiro humilhado que reproduziu esse comportamento. É uma patologia exclusivamente masculina e muito estudada pela ethnopsiquiatria.
Ela não é sem equivalente, é claro, nas fúrias assassinas desses jovens americanos hiper-armados que entram nas suas antigas escolas para se vingar dos bullings sofridos no passado. Mas não se usa o nome de Amok para qualificar a sua infelicidade.

E quanto ao vôo, enfim, considerem essa hipótese – e explorêmo-na na cultura midiática que fala à nossa realidade como os espíritos enfurecidos sopram conselhos à cabeça de uns e outros no oriente.

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