11 dezembro 2015

10 dicas para quem quer fazer mestrado em comunicação

Acabamos agora a seleção da Turma 2016 do Ppgcom - o Programa de Pós-graduação Comunicação, Cultura e Amazônia, que tenho a honra de coordenar e que oferece o mestrado em comunicação da UFPA. 

A turma selecionada é muito boa, mas não conseguimos preencher todas as vagas: das 22 abertas, 20 foram preenchidas. Não por falta de candidatos, mas o fato é que nem todos conseguiram atender às exigências do processo seletivo e chegar ao final. Alguns bons candidatos ficaram pelo caminho: seja porque fizeram a prova escrita de maneira deficiente, seja porque o anteprojeto de pesquisa apresentado se distanciava da experiência de pesquisa do Programa ou possuía falhas e contradições, seja porque o CV Lattes apresentado não continha comprovações, seja porque passaram mal pela entrevista. Em função disso, decidi fazer um post com algumas recomendações para os futuros candidatos ao nosso mestrado.

Ficam, assim, algumas dicas para quem quiser se preparar melhor para a seleção do ano que vem:

1. É possível assistir as disciplinas como ouvinte. Solicite informações na secretaria do Programa durante o período de matrícula (fevereiro). Isso pode ser bom para decidir se você realmente quer fazer o mestrado e também para se preparar para a seleção, já entrando no rítimo do curso, conhecendo as pesquisas desenvolvidas e adequando seu anteprojeto à realidade do Programa. Fazer uma disciplina como ouvinte também permite que você se faça conhecer pelos professores, o que pode ajudar na hora da entrevista. Mas atenção: é preciso mostrar compromisso: ler a bibliografia, participar das discussões e fazer os trabalhos. Assim como se demonstra capacidade também se demonstra o contrário...

2. Outra possibilidade é participar dos Grupos de Pesquisa. Em geral eles estão abertos a quem quiser participar. Para isso, entre em contato com o(a) professor(a) coordenador(a) do Grupo e peça para fazer parte. As reuniões podem ser semanais, quinzenais ou mensais, conforme o rítimo do Grupo. Isso pode ajudar bastante na definição e na adequação do antreprojeto e, igualmente, possibilita que sua disposição de trabalho seja conhecida pelos professores.

3. A dica mais importante é esta: adéqüe seu anteprojeto às pesquisas que estão sendo realizadas pelos professores do Programa. Nenhum mestrado quer uma idéia nova, o que se quer é que você se disponha a participar das pesquisas já em curso. Isso ocorre porque a realidade da pesquisa é a construção coletiva, que permite profundidade na investigação. Guarde as suas idéias para depois que você for doutor. Sintonize com os Grupos de Pesquisa e mostre que você pode fazer parte de uma equipe já consolidada. Não há trabalho científico, atualmente, que não seja um empreendimento coletivo. Assim, se você propõe um tema que não se relaciona com o esforço de pesquisa em curso, suas chances de aprovação diminuem drasticamente. Daí a importância de participar dos Grupos de Pesquisa e de ler os trabalhos do(a) possível orientador(a).

4. Em decorrência, faça um anteprojeto coerente com o trabalho do orientador(a) que você escolheu. Conheça a bibliografia que ele(a) utiliza, cite os resultados que ele(a) já alcançou e explicite a sua intenção em participar do trabalho em curso.

5. Por mais que o espaço do anteprojeto seja pequeno (10 páginas), procure demonstrar conhecimento do assunto. Cite autores, explore as contradições entre eles, construa hipóteses conseqüentes.  

6. O Ppgcom oferece um curso de mestrado acadêmico (e não profissional). Em função disso, o anteprojeto deve propor uma pesquisa, e não uma “ação”. Assim, se você propor realizar coisas como vídeos, jornais, campanhas de publicidade, coletivos, ações culturais, etc estará automaticamente fora da seleção. Da mesma maneira, embora não seja desclassificado, você perde pontos se propor, como pesquisa, encontrar soluções ou fazer medições que atendam a interesses simplesmente mercadológicos ou prospectivos.

7. Enriqueça seu Lattes. Quem quer fazer mestrado demonstra isso participando de eventos científicos, como congressos, seminários e cursos. Se puder apresentar trabalhos nesses eventos, muito melhor. Se você não demonstrar esse percurso suas chances diminuem.

8. Organize seu Lattes. Não deixe de comprovar, com certificados e declarações, o que você fez. Ah, e por favor, coloque tudo na ordem do Lattes.

9. Leia a bibliografia da prova escrita, mas procure demonstrar que você pode ir além dela. Evite um tom impressivo na escrita: seja dissertativo, pratique a dialética, relacionando os autores lidos às suas considerações próprias e a seus exemplos.

10. Na entrevista, seja objetivo e procure valorizar seu anteprojeto, indicando de que maneira ele se relaciona à experiência de pesquisa do Programa. Evite descrições de desventuras pessoais e familiares; não evoque revezes e nem diga que fazer o mestrado é um sonho; não chore; não se diga “filho do interior”; não alimente a banca (não ofereça biscoitos e nem outros açúcares à banca, em geral de regime); não diga que deixou o emprego para se dedicar ao processo seletivo (isso sempre parece pedante e inevitavelmente soa falso); não espalhe ícones religiosos sobre a mesa e nem proponha à banca fazer uma prece, de mãos dadas, antes da entrevista. Ah, e também dispense abraços entusiasmados e beijos lambuzados – um simples (e firme) aperto de mão é mais do que suficiente para a ocasião. Atenha-se à sua capacidade de pesquisa, mostrando como seu anteprojeto se insere num ciclo de produção coletivo e como você está aberto a participar desse diálogo.


9 comentários:

Anônimo disse...

Professor, acompanha seu blog e achei muito interessantes suas dicas. Porém confesso que algumas dicas me parecem um tanto "pessoais" como "se faça conhecer pelos professores", acredito q um processo seletivo importante como o da pós graduação deveria ser de total discrição e anonimato dos candidados. Acho apropriado que também discutamos a clareza dos processos seletivos, como: a pontuação de cada item no Currículo lattes, a pontuação em cada fase, para que assim o candidato tenha parâmetros de comparação e até tempo para entrar com um recurso. Também penso que a Universidade seja um ambiente de fomentação de idéias, a simples repetição de idéias que já existem acredito que possam torná-la infrutífera. Abraços!

Fabio Fonseca de Castro disse...

Olá Anônimo,
Obrigado pelo comentário. Sim, o processo é estritamente impessoal, pois somente na fase da entrevista os avaliadores sabem quem é o candidato avaliado nas fases anteriores. Não há como ser anônimo numa entrevista, e, nela, pesa o reconhecimento da capacidade de trabalho do candidato. A referência que fiz deixa claro isso, espero. E em relação à pontuação dos itens, ela está no Edital, basta acompanhar. A respeito do que vc fala sobre "repetição de ideias", creio que houve uma interpretação incorreta. Esclareço: é importante ver o mestrado como um treino de pesquisa: o tempo de duração é estritamente limitado e o que conta é a capacidade de inserção num esforço coletivo. Por isso, não é esperado, do mestrando, ideias brilhantes, mas sim a capacidade de aprender a pesquisar e contribuir com um esforço coletivo em curso - por, afora o romantismo de alguns, é essa a realidade da pesquisa científica. E isso não tem nada a haver com uma "simples repetição de ideias", como você diz, mas sim com o avanço, com o acréscimo e com o diálogo.

Bruno Figueiredo disse...

Gostei de suas dicas. Quando eu estiver qualificado suficientemente eu pretendo fazer esta seleção.

Fabio Fonseca de Castro disse...

Olá Bruno,
Qualificação é só uma questão de construção. Bom trabalho e espero vê-lo em breve.

Tetê Vasconcelos disse...

Que bacana Fábio suas dicas. Confesso que mesmo sendo veterana nessa estrada da pós, poucos professores permitem orientações tão claras quanto estas. Espero, em breve, ter a chance de contribuir nesse grupo de mestrado. Abraços

Fabio Fonseca de Castro disse...

Legal, Tetê querida. Para contribuir é só chegar.

Vanda Cardoso do Amaral disse...

Muito legal! Quem tá fora da academia tem uma outra visão do que é um mestrado e você mostrou de uma forma simples um pouco desse mundo. Nunca imaginei encontrar, num mestrado, ideias de cooperação, esforço coletivo etc, como você destaca. Assim dica mais fácil!!! Alívio... quem sabe ano que vem eu tento?

Vanda Cardoso do Amaral disse...

Corrigindo: Assim "fica" mais fácil!!!!

Geovani Luz disse...

Hehe....égua, chorei de rir com a dica 10...rs. Muito bom!