17 maio 2016

UFPA: golpismo e exceção

Estou fora do estado e com acesso difícil à internet, mas ainda q rapidamente gostaria de expressar minha opinião e minha posição sobre a renúncia do reitor da UFPA, Carlos Maneschy e ao processo repentino, atropelado e irresponsável de sucessão à reitoria.

Renunciar à Reitoria para fazer carreira política, ainda que ato legítimo - posto que amparado pelo foro íntimo do que renuncia - é, sem dúvida, eticamente questionável. Sempre que o interesse pessoal, privado e grupal prevalece sobre o interesse coletivo se abre uma questão ética.

Pior ainda fazê-lo no momento delicado em que o país se encontra.

E, ainda mais grave, é fazê-lo partidarizando a UFPA, associando a disputa à Reitoria aos interesses do PMDB.

É preciso perceber que a candidatura Tourinho à reitoria está indelevelmente associada à candidatura Maneschy, pelo PMDB, à prefeitura de Belém.

No Brasil das exceções, a UFPA, segue a norma excessionista, e isso
com aval de pessoas respeitáveis. A UFPA começou a seguir a norma excecionista e golpista. O que interessa é fazer o sucessor. Ou seja: preservar o poder. Preservar e dar continuidade ao projeto de poder.

A antecipação das eleições fere a instituição do direito ao debate e à reflexão. Do direito de refletir sobre o futuro da instituição de maneira equilibrada e democrática.

Acho absurdo pessoas que lutam pela idéia da democracia, sobretudo se ligadas ao PT, apoiarem qualquer candidatura ligada ao PMDB, neste momento. Não importa se essa candidatura é a um cargo eletivo ao legislativo, ao executivo ou a uma instituição como a UFPA.

Apoiar o PMDB, mesmo que indiretamente, significa pactuar com o golpe, com esse governo ilegítimo e com esse modo de fazer política. Acho isso de uma total falta de comprometimento com o momento político que o Brasil vive. São escolhas desse tipo que trouxeram o país à situação de colapso que hoje experimentamos.

Não se deve esquecer que o atual reitor foi um dos dois únicos reitores de universidades públicas federais, em todo o país, que se recusaram a assinar, há alguns meses, documento de solidariedade ao governo Dilma e que de seu candidato à reitoria nunca se ouviu uma condenação o objetiva ao golpe e à ilegitimidade do governo atual.

Pena que a história é sempre justificada e justificável e que pessoas que ensinam e que fazem ciência não conseguem se sobrepor aos interesses locais, paróquias e eventuais.

Tempos sombrios se aproximam.

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