20 junho 2016

Porque voto João Weyl e Armando Lírio

Já é público meu apoio à candidatura de João Weyl e Armando Lírio para reitor e vice-reitor da UFPA. No entanto, numa época em que tantos hesitam em dizer o que pensam e na qual o simples anuncio intenção de voto, inclusive por meio de bottons e ícones digitais, tende a substituir a verdadeira discussão, acho que é interessante justificar posições e fazer o debate.
Assim, minhas razões para votar João Reitor são as seguintes:
1. Experiência e seriedade
São duas razões que andam juntas. Muitas vezes a seriedade e o compromisso podem dar razão ao voto, mas quando estão junto com a experiência e com a história do candidato, se tornam preponderantes. João Weyl, além de imensa seriedade, tem experiência. Dentre todos os candidatos, foi o único que foi Vice-Reitor, o único que foi Secretário de Estado de Ciência e Tecnologia, o único que implantou projetos absolutamente estratégicos para a pesquisa científica no Pará, como a criação da Fapespa, do NavegaPará e do Parques de Tecnologia do Guamá. João também implantou, há 30 anos, a rádio e a TV Cultura. E isso fora os inúmeros cargos que ocupou, em sua trajetória, no sistema nacional de C&T. Dos 5 candidatos, somente ele e mais um são bolsistas de produtividade do CNPq e ocuparam cargos gestores na Capes, CNPq e MCT, mas somente ele ocupou cargos e liderou políticas públicas de C&T.
Armando Lírio, por sua vez, tem 15 anos na coordenação de projetos de extensão com forte impacto social e centrados na participação, na colaboração e na valorização da experiência social. Nossa chapa não foi constituída, ao contrário das demais, por meio de negociações para atrair apoio e votos de outros setores da universidade, mas como um pacto de coerência, desejando mostrar à UFPA que nossa instituição precisa, antes de tudo, de compromisso verdadeiro e de transparência.
João Weyl e Armando Lírio são fazedores. São realizadores. E acumulam imensa experiência como gestores.
2. Compromisso social
João Weyl tem história. Embora não filiado hoje, foi fundador do PT no Pará e militou em lutas sociais históricas. João lutou contra a ditadura militar, participou das grandes batalhas pelos direitos civis no Pará e caminhou junto com os movimentos sociais na reivindicação pelo direito à terra, à identidade étnica, à liberdade de expressão, à comunicação, à política de quotas e ao reconhecimento das igualdades sociais.
Dentre os candidatos, João e Armando são os únicos que, claramente, se posicionam contra o golpe de estado em curso e enunciam suas posições políticas. Tudo isso é central para um Reitor, porque a UFPA tem se afastado de sua condição de ator político maior na promoção do debate público no estado do Pará e porque precisamos ocupar nossa condição natural de liderança, de vanguarda, nas grandes lutas sociais. Porque precisamos de uma gestão que não seja burocrática e fechada no intramuros confortável de uma universidade se deixou, nos últimos anos, de se idealizar como pública e politizada.
3. Renovação
Voto João Weyl e Armando Lírio, também, porque precisamos romper ciclos de poder que atualmente gravitam em torno da Reitoria (e que pretendem continuar a gravitar em torno dela) para termos uma universidade mais arejada, mais autocrítica, mais critica e mais participante da vida social do Pará.
O Reitorado do Prof. Maneschy não precisa continuar. Sete anos é muito tempo e está na hora de mudar. A reitoria atual tem 3 candidatos: os professores Tourinho, Ortiz e Erik atuaram na gestão Maneschy durante esses sete anos. Ainda que haja marcas positivas – e como ser diferente em meio aos altos investimentos que o governo federal fez na universidade pública, nos últimos 13 anos? – penso que as debilidades e as carências da UFPA saltam aos olhos, notadamente no ensino de graduação, que vive um dos piores momentos de toda a sua história.
Além disso, o estilo “Reitorado”, com uma universidade enfeudada e com os processos políticos interdependentes dos interesses políticos (ver o que escrevi aqui) em curso, temos um ambiente um tanto pesado: há pouca participação política na UFPA, pouco debate, pouca opinião e muito, muito receio de se dizer o que se pensa.
A candidatura de João Weyl e Armando Lírio aporta o novo, com promessa de melhor participação e de mais diálogo com a sociedade amazônica. Note-se, a esse respeito, que Armando tem imensa experiência de diálogo com a sociedade civil e que nossa candidatura traz, no seu centro, a vontade de diálogo.
As três candidaturas do Reitor Maneschy são mais do mesmo. Elas são pesadas e burocráticas. Elas são frias e distantes. E, curiosamente, elas parecem ser avessas à todas idéia de encontro, participação e diálogo.
4. Compromisso com a graduação, a extensão, a assistência estudantil e a biblioteca
Voto também no João e no Armando porque no centro, no núcleo da proposta que eles apresentam para a UFPA, estão graduação, a extensão, a assistência estudantil e o sistema de bibliotecas. Os candidatos do Reitor representam uma universidade idealizada e dessintonizada com a realidade. Uma universidade centrada na pós-graduação e na gestão que ignora, historicamente, a graduação e os alunos. A UFPA está longe de ser uma Unicamp e não tem consciência disso. O resultado é uma política universitária que aposta no crescimento da pós como vetor central da qualificação, ignorando a graduação e a extensão.
Entramos numa arriscada espiral de decadência e precisamos salvar a UFPA. A receita, evidentemente, não é esquecer a pós, mas sim centrar o foco na graduação, associada com a extensão e com a assistência estudantil.
Em complemento, é preciso reverter a situação do sistema de bibliotecas e, especialmente, da Biblioteca Central. Aquela que deveria ser a alma da universidade está destruída: é uma biblioteca de iluminação, sem mesas e cadeiras, sem conservação e sem espaço de estudo.
Voto em João e Armando, também, porque eles assinalaram o compromisso de tornar a Biblioteca Central um centro cultural maior na vida de Belém.
***
Percebo o quanto a estratégia do reitor Maneschy em antecipar as eleições dificulta o debate verdadeiro e a construção coletiva de idéias. É evidente que isso foi feito para facilitar a eleição de seu candidato. Também percebo como as trucagens do marketing político e o dinheiro, que paga essas trucagens, impressos e outros truques caros, estão substituindo a boa política – que julgava ainda possível na universidade pública – pela politicagem dos interesses, das trocas, retribuições e negociatas. Sei que o tempo dificulta a construção do voto crítico, mas confio na capacidade da UFPA em julgar os projetos apresentados.

Por essas razões, João Reitor e Armando Vice!

3 comentários:

Bento disse...

De acordo professor! Sua declaração de voto me representa. João e Armando formam uma chapa de oposição e corajosa. Bela campanha!

Anônimo disse...

Sem tempo para escolher, com essas eleições feitas às pressas, taí uma boa opção!

Anônimo disse...

Estas eleições na UFPA estão bichadas. O processo todo foi antecipado para favorecer a eleição do candidato do professor Maneschy, o Emanuel Tourinho, o ET. Não conhecemos os candidatos e não teve debate de propostas: só publicidade, boton, cartaz caro. Pra mim, isso é golpe. Você viu o que está no blog do Barata? O Maneschy se fez nomear assessor especial da reitoria. Imoralidade! Tenho vergonha da UFPA. Se houvesse tempo para uma campanha verdadeira acho que o ET perdia, porque as contradições dessa chapa são imensas.