Pular para o conteúdo principal

PPGCOM adere ao estado de greve na UFPA

Informo a todos que agora há pouco, em reunião de Colegiado transformada em Assembleia Geral, o Programa de Pós-graduação em Comunicação, Cultura e Amazônia da UFPA decidiu, por unanimidade, pela sua adesão ao indicativo de estado de greve na UFPA.
As atividades burocráticas e de ensino do Programa, bem como as inscrições e o Processo Seletivo da próxima turma do mestrado, estão suspensas por tempo indeterminado, assim que a greve for iniciada.


Reproduzo a Nota divulgada pelo Programa:
O Programa de Pós-graduação em Comunicação, Cultura e Amazônia informa, à comunidade científica e à sociedade que, em reunião de Colegiado transformada em Assembleia Geral, ocorrida hoje, 10 de novembro de 2016, decidiu, por unanimidade, pela sua adesão e apoio ao indicativo de greve na UFPA. 
Nos posicionamos contra a PEC 55, antiga PEC 241 e, igualmente, contra a postura antidemocrática e elitista do governo Temer em se negar a discutir e debater com a sociedade assuntos que a atingem irreversivelmente e comprometem seu futuro. 
Os impactos causados pelo congelamento por vinte anos dos gastos sociais do governo, particularmente no campo da educação, constituem um paradoxo para um país que visa o desenvolvimento, a diminuição das desigualdades sociais e o fortalecimento do estado democrático e de direito. Parece-nos claro que precarizar e reter investimentos nas instituições públicas de ensino e pesquisa não é um caminho viável, nem integra um plano de governo comprometido com a construção da igualdade e com o bem-estar geral. 
Vemos com igual preocupação o tratamento dado pela mídia tradicional ao debate em torno da PEC 55 e repudiamos a cobertura superficial que tem sido feita das ocupações. Acreditamos que a comunicação, além de constituir um direito social inalienável, tem papel fundamental no fortalecimento de processos sociais básicos, como a democracia, a cidadania e a justiça. 
Enquanto único programa de pós-graduação em Comunicação do estado do Pará, reconhecemos ser nosso papel, enquanto docentes, discentes e técnicos administrativos, nos unirmos às lutas em curso, apoiando e participando ativamente da Ocupação da UFPA e aderindo à greve que unifica nossas três categorias na luta pela justiça, pela ciência e tecnologia e pela educação. 
Ao mesmo tempo expressamos nosso reconhecimento em relação ao movimento legítimo e espontâneo de Ocupação que, a cada dia, se fortalece e ganha força pelas escolas e universidades do país. Acreditamos que trocas ricas e momentos simbólicos únicos podem surgir do movimento plural em curso. 
Por fim, esclarecemos que, com essa decisão, ficam suspensas, por tempo indeterminado, as atividades burocráticas e de ensino do Programa, bem como as inscrições e o Processo Seletivo da próxima turma do mestrado, às quais serão retomadas posteriormente. Programa de Pós-graduação Comunicação, Cultura e Amazônia, Universidade Federal do Pará. 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Genocídio Yanomami: Bolsonaro não pode escapar

O mundo está estarrecido com com o genocídio Yanomami. As imagens chocantes atravessam o planeta e atestam o que todos já sabiam: houve genocídio. E não há como Jair Bolsonaro não ser imputado por esse crime.  Dados obtidos pela plataforma SUMAÚMA  mostram que, durante o governo Bolsonaro, o número de mortes de crianças com menos de 5 anos por causas evitáveis aumentou 29% no território Yanomami. Foram 570 crianças mortas, em 4 anos, por doenças que têm tratamento. E isso pode não ser tudo, porque o conjunto das terras indígenas em território brasileiro sofreu, ainda de acordo com o Suamúma, um verdadeiro apagão estatístico durante o governo de extrema direita.  O legado de Bolsonaro é um dos mais aviltantes da história do Brasil. Não é de hoje que as terras Yanomami, onde vivem quase 30 mil pessoas indígenas, são agredidas pela especulação do garimpo ilegal, da pecuária ou da cultura do arroz, mas nunca se viu um apoio tão grande do Estado brasileiro a essas atividades....

Solicitei meu descredenciamento do Ppgcom

Tomei ontem, junto com a professora Alda Costa, uma decisão difícil, mas necessária: solicitar nosso descredenciamento do Programa de pós-graduação em comunicação da UFPA. Há coisas que não são negociáveis, em nome do bom senso, do respeito e da ética. Para usar a expressão de Kant, tenho meus "imperativos categóricos". Não negocio com o absurdo. Reproduzo abaixo, para quem quiser ler o documento em que exponho minhas razões: Utilizamo-nos deste para informar, ao colegiado do Ppgcom, que declinamos da nossa eleição para coordená-lo. Ato contínuo, solicitamos nosso imediato descredenciamento do programa.     Se aceitamos ocupar a coordenação do programa foi para criar uma alternativa ao autoritarismo do projeto que lá está. Oferecemos nosso nome para coordená-lo com o objetivo de reverter a situação de hostilidade em relação à Faculdade de Comunicação e para estabelecer patamares de cooperação, por meio de trabalhos integrados, em grupos e projetos de pesquisa, capazes de...

Comentário sobre o Ministério das Relações Exteriores do governo Lula

Já se sabe que o retorno de Lula à chefia do Estado brasileiro constitui um evento maior do cenário global. E não apenas porque significa a implosão da política externa criminosa, perigosa e constrangedora de Bolsonaro. Também porque significa o retorno de um player maior no mundo multilateral. O papel de Lula e de sua diplomacia são reconhecidos globalmente e, como se sabe, eles projetam o Brasil como um país central na geopolítica mundial, notadamente em torno da construção de um Estado-agente de negociação, capaz de mediar conflitos potenciais e de construir cenas de pragmatismo que interrompem escaladas geopolíticas perigosas.  Esse papel é bem reconhecido internacionalmente e é por isso que foi muito significativa a presença, na posse de Lula, de um número de representantes oficiais estrangeiros quatro vezes superior àquele havido na posse de seu antecessor.  Lembremos, por exemplo, da capa e da reportagem de 14 páginas publicados pela revista britânica The Economist , em...