08 novembro 2016

Reinventar a política 2: UFPA ocupada


A UFPA já está ocupada. Igualmente a Faculdade de Comunicação, o Instituto de Letras e Comunicação e do Programa de Pós-graduação Comunicação, Cultura e Amazônia – meus territórios principais de circulação. E isso afora dezenas de outros espaços da instituição.

Registro aqui todo meu apoio aos alunos, protagonistas dessa iniciativa corajosa, e convido meus colegas docentes e técnicos a apoiarem o movimento. Sei que não é fácil ter disposição de ânimo para fazer uma luta social contra um governo que atua com instrumentos policiais, jurídicos e institucionais de repressão. A hora, porém, é de ter coragem e de garantir uma ação respeitosa do patrimônio público, racional, inteligente e articulada com a sociedade civil.

Mais do que tudo, estou satisfeito em ver o protagonismo dos alunos nesse processo. São eles que estão em melhor condições de renovar a política e de articular melhor as respostas e as pactuações que a sociedade brasileira precisa. Talvez eles possam ver melhor, lá onde as grandes estruturas formais da política – como os partidos, os governos, as ideologias e a burocracia – estão falhando.

Sobretudo, é preciso reorganizar articulações entre a academia e os movimentos sociais de modo a apresentar, ao conjunto da sociedade, novas possibilidades e caminhos. Sobretudo em direção a essas duas reformas estruturantes que são a Reforma Política e da Lei da Comunicação Democrática.

Isso, é claro, está no campo da vontade, do a-vir,  do dever-fazer, porque a hora, mais que nunca, é de resistência. De coragem e de resistência.

Se ouso referir a necessidade dessas lutas, todas ainda a fazer e toda apenas mal começadas, é porque sei que ocupar a UFPA – #OcupaTudo – é um começo promissor – e claro, digo isso porque foi muito emocionante ver a disposição dos alunos ocupando a reitoria, ontem a noite.

Confesso que, se por um lado, nunca pensei em ver um avanço do fascismo e da violência de Estado, novamente, no Brasil, por outro lado também já não pensava mais em ver tantos estudantes lutando pelos direitos sociais.


Nenhum comentário: