14 abril 2017

Governo Temer acaba com o Ciência Sem Fronteira: elitismo e meritocracia na universidade pública

O Governo Temer, sem nenhum debate público, sem nenhum diálogo com as universidades, extinguiu o Programa Ciência Sem Fronteiras. Mais um passo largo para ampliar a irrelevância do Brasil no cenário internacional. 
Pior é que tem gente, na universidade pública, comemorando essa desgraça. O pretexto, absurdo, é que quem promove a internacionalização das universidades – meta estratégica para a melhoria da pesquisa e do ensino – é a pós-graduação, e que, portanto, é um desperdício investir em mandar para o exterior alunos da graduação.
Acho uma grande cara de pau dizer uma coisa dessas. A internacionalização se faz com todos, e não com exclusão. Dizer que, estrategicamente, ela deve se concentrar na pós-graduação é um elitismo inadmissível, mesquinho como a visão meritocrática de que só os melhores devem ter vez.
Mesmo porque o benefício de ter alunos da graduação com uma experiência internacional é considerável, tanto para a melhoria do ensino, pois a experiência trazida por esses alunos enriquece o coletivo, como para a formação de quadros e de pessoas.
O Programa Ciência Sem Fronteiras, implementado em 2011 no Governo Dilma Rousseff, possibilitou estágios de 6 meses a um ano, em outros países, para cerca de 100 mil universitários. O benefício disso, para a sociedade brasileira, foi imenso.
Mas agora o governo Temer decidiu acabar com o programa, deslocando seus recursos – na verdade, apenas parte deles – para a pós-graduação. Trata-se do novo programa “Mais Ciência, Mais Desenvolvimento”, voltado para doutorado, pós-doutorado e docência.
É claro que todo recurso investido na pesquisa e na pós-graduação é importante, mas é criminoso acabar com o Ciência Sem Fronteira.

Educação, ciência e tecnologia não são gastos, mas sim investimentos. Investir na experiência de internacionalização do aluno de graduação é, na verdade, barato, diante do benefício que isso gera, porque o Brasil é um país historicamente isolado e voltado para o próprio umbigo. A sociedade contemporânea é multicultural, multiidentitária e poliglota. Acabar com o Programa é um retrocesso, o país caminha para trás.

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