18 abril 2018

Conjunturas 3


Mas, e se não houver eleições? Já não é o meu amigo quem me pergunta. Sou eu próprio quem me pergunta. Em épocas incertas o que mais nos fazemos é perguntar, se não aquém, a si mesmo. Não que tenhamos respostas, mas em vez de seguir esperando e esperar que piore, o que nos cabe é indagar.
E em relação a isso, embora não seja uma resposta, é uma constatação que me parece irrefutável: se não houver eleições, a tendência é que se radicalize a situação. Dos dois lados. Isso porque o ímpeto dos golpistas é tal que estão convictos de que podem prescindir para sempre do diálogo e da pacificação política.
Ocorre que não podem, porque em algum momento o elástico arrebenta. Não tenho idéia de qual seria esse momento, mas é natural que ele exista. Pode ser que seja o abismo econômico, uma crise geral do emprego, uma rebelião ou mesmo um novo posicionamento das classes médias. Pode ser, inclusive, que uma situação de crise maior leve a uma radicalização das forças sociais excluídas, com conseqüências que todos sabemos, porque a história está cheia delas.
O fato é que qualquer movimento de estiramento requererá, em algum momento, uma recomposição inclusiva das forças políticas. É por isso que penso que somente eleições livres e democráticas teriam condições de pacificar o pais. Somente eleições diretas e soberanas garantiriam um governo legítimo, com capacidade de tentar – diga-se bem, capaz tentar – colocar ordem neste barco desgovernado que se tornou o Brasil.

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