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Natal de 74

Ano passado contei a respeito dos incidentes que marcaram o Natal de 1973 e, como deixei em aberto a possibilidade, retorno para contar como se passou a Natal de 1974 na minha casa. Um Natal famoso, dentre os demais, porque por muitos anos, em minha casa, se continuou a comentar a sequência de incidentes que, nele, tiveram lugar. Mas lembrado, igualmente, porque foi o primeiro Natal de dois eventos maiores: o primeiro Natal neste mundo do meu irmão Rodrigo, nascido em junho daquele ano e o primeiro Natal em que passamos na casa do Lago Azul, onde passáramos a habitar havia alguns meses. Há muito a dizer sobre o Lago Azul, mas não o farei aqui para não misturar as histórias, mas é preciso dizer que, naquele tempo, era um lugar muito distante da cidade, com poucas casas (apenas três à beira do lago, uma das quais a nossa) e, a bem dizer, uma floresta – no sentido mais amplo da palavra: com bichos, cobra (cobra que é um bicho mais que outros bichos), mata e chuvas torrenciais. Chegar a ...

Debate: "O Brasil e o Futuro da Esquerda"

Convido a todos para o debate "O Brasil e o Futuro da Esquerda", promovido pelo Instituto Ernest Mandel, que ocorre amanhã, quarta-feira, às 18h30, no Sindicato dos Bancários. Terei a honra de coordenar a mesa, que reúne ideias e pessoas instigantes em mais uma reflexão sobre a conjuntura da vida brasileira.

Política em Debate: Faculdade de Comunicação e Programa de Pós-graduação em Comunicação retomam as atividades avaliando a conjuntura política

Da crise ao conluio

Com uma rapidez extraordinária passamos da manchete “crise entre os poderes” para a manchete “conluio entre os poderes”. Simples assim: Renan tira do regime de urgência o projeto de abuso de autoridade e é mantido na presidência do Senado, podendo tocar a PEC 55 e as demais pautas daquilo que, para mim, só tem um nome: “agenda americana”. Essa desfaçatez constitui uma das maiores negociatas da história do Brasil e encerra uma das grandes questões do imaginário político nacional: no final, todos lucupletaram-se. Não dá nem para qualificar o estado das coisas no Brasil. Às vezes acho que só me resta acreditar nas virtudes do exemplo da má experiência. O único fato que realmente me tranquiliza é o de que a ambição dessa corja de juízes, políticos e empresas de comunicação anda tão descompensada que, porfim, pode ser torna evidente, para quem ainda não compreender, o seu caráter e a sua aliança. Mas… será que a multidão inebriada e letárgica (sim, é contraditória a união dessas palavras...

Roda de conversa sobre política cultural no Naea: hoje, às 15h

Palestra na Ocupação: Etnografia, etnometodologias e microetnografias

Hoje dou aula pública na Ocupação da  Fau Itec Ufpa  com o tema "Etnografia, etnometodologias e microetnografias". Às 9h.

Meu novo artigo: Sociedade dos Arquivos: Temporalidade e Intersubjetividade na Cultura Contemporânea

Publicado hoje meu novo artigo, Sociedade dos Arquivos: Temporalidade e Intersubjetividade na Cultura Contemporânea , na Revista Contracampo, da Universidade Federal Fluminense. Mais contente ainda porque estou fechando a edição que foi aberta pela querida amiga Prof. Rosaly Seixas Brito, com seu artigo Narrativas Virtuais Juvenis: Fronteiras Fluidas . Seque aqui o link para a revista . Segue o resumo do artigo: Resumo:   O artigo discute o conceito de arquivo na sociedade midiática e hiperconectada. Parte-se do conceito de traço, usado por Derrida (1967; 1995) para referir o caráter pré-ontológico de toda significação e caminha-se em direção a uma interpretação do traço por Ricoeur (1985), em sua compreensão fenomenológica do problema da temporalidade. Com esse horizonte, procuramos pensar a intersubjetividade e o sentido do debate sobre a “coesão à vida”, feito por Dilthey (1992a; 1992b), por meio do traço. Construímos a ideia de que a ex...

Pequena homenagem a Leonard Cohen, que ontem partiu

Cada um de nós tem seus artistas de fundo, desses que nos acompanham de alguma forma, nem sempre muito presentes mas, por-alguma-razão-por-ali. Tenho muitos deles e um era Leonard Cohen, morto ontem, aos 82. Poeta, compositor e cantor, judeu de Montreal, sujeito meio metafísico, dado a abordagens estranhas do quotidiano e à evocação de imagens antigas por meio de suas palavras modernas, Cohen foi uma grande inspiração para mim; várias, reiteradas e repetitivas vezes.  O impacto de Suzanne me dura longamente, talvez porque misture a imagem de um lago - e a borda de um lago é meio que meu primeiro habitat - com a dessa mulher, meio espiritual, com a qual o narrador tem - et moi avec - uma profunda comunhão espiritual. Jamais poderei descrever o quanto essa música me provocou, repetidas vezes, a insólita experiência da re-paixão, do re-amor, da re-ternutra, do re-estar-junto à minha companheira e, o quanto a Marina re-foi Suzanne.  Bom, ainda que precise ser dito que a...

PPGCOM adere ao estado de greve na UFPA

Informo a todos que agora há pouco, em reunião de Colegiado transformada em Assembleia Geral, o Programa de Pós-graduação em Comunicação, Cultura e Amazônia da UFPA decidiu, por unanimidade, pela sua adesão ao indicativo de estado de greve na UFPA. As atividades burocráticas e de ensino do Programa, bem como as inscrições e o Processo Seletivo da próxima turma do mestrado, estão suspensas por tempo indeterminado, assim que a greve for iniciada. Reproduzo a Nota divulgada pelo Programa: O Programa de Pós-graduação em Comunicação, Cultura e Amazônia informa, à comunidade científica e à sociedade que, em reunião de Colegiado transformada em Assembleia Geral, ocorrida hoje, 10 de novembro de 2016, decidiu, por unanimidade, pela sua adesão e apoio ao indicativo de greve na UFPA.   Nos posicionamos contra a PEC 55, antiga PEC 241 e, igualmente, contra a postura antidemocrática e elitista do governo Temer em se negar a discutir e debater com a sociedade assu...

Sobre a greve, as perdas pessoais e os ganhos coletivos

E como continuamos tratando de #OcupaTudo, #OcupaUFPA e #ForaTemer, reproduzo minha resposta, no Facebook, a um aluno que questionava as "perdas pessoais" que uma greve lhe traria: Toda greve é necessariamente incômoda, senão não alcançaria seus objetivos. Ser incômoda é a essência de uma greve, é a sua natureza. O problema é que, às vezes, esses incômodos não permitem que nós vejamos os resultados que elas trazem. Acho muito importante, diante dessas situações, fazer um exercício de transcendência, com dois movimentos, que é o seguinte: Movimento 1) pensar historicamente, procurando ver o que as greves e lutas sociais do passado trouxeram para mim, hoje, que eu não estou percebendo e Movimento 2) pensar sociologicamente, procurando ver o que as greves e lutas sociais, do presente, podem trazer para mim mesmo e para outras pessoas.  Gostaria de lhe dar dois elementos que podem ajudar a fazer esse Movimento 1: O primeiro é que você tem acesso ao RU (Restaurante Univer...