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Alfred SCHÜTZ


1899-1959. Schutz nasceu em Viena, a 13 de abril de 1899. Aos dezoito anos, apenas terminado o Liceu, foi enviado ao campo de batalha, na fronteira italiana. O retorno doloroso a um império em crise obrigou-o a escolhas pragmáticas : os estudos de direito, os quais conclui ao final de 1921 e um emprego de consultoria bancária substituem os projetos anteriores, aleatórios, de se tornar maestro de orquestra ou escritor. Não obstante, sua carreira no banco decola. Com efeito, havia-se especializado em direito internacional na faculdade, o que lhe permitiu produzir relatórios e análises sobre a situação econômica da Europa central e colaborar na seção de economia do jornal Neue Freie Presse. Foi contratado pelo banco privado Reitler em 1929, passando a viajar permanentemente pelo continente, construindo uma reputação sólida de analista econômico. Porém, esse crescimento seguro de sua vida profissional era margeado pela subida ao poder do nazismo e do anti-semitismo, bem como pela crise econômica e política que ameaçava todo o mundo germanófilo. É sobre esse influxo que Schutz escreveu, entre 1924 e 1927, seu primeiro trabalho científico, « Theorie der Lebensformen ».
De umaa fusão de horizontes – Bergson, Weber e Husserl - nasceu a segunda obra de Schütz, “Der sinnhafte Aufbau der sozialen welt. Eine Einleitung in die verstehende Soziologie”. Será o único trabalho que Schutz publicará, sob a forma de livro, em sua vida. Porém, ele reúne toda a armadura conceitual usada em sua sociologia fenomenológica. A preocupação central de Schütz, nessa obra, é descrever os processos sociais por ele compreendidos como a) a passagem da duração ao mundo espaço-temporal e b) a constituição dos contextos de experiência e de ação.
A invasão da Polônia, em 1939 e a declaração de guerra da França e da Inglaterra à Alemanha fizeram Schütz decidir-se pelo exílio americano. Instalou-se, com a família, em Nova York e, continuando a trabalhar no banco, dedicou-se a estudar a sociologia norte-americana. Nesse cidade, foi co-fundador da International Phenomenological Sociaty, bem como da revista científica dessa sociedade, Philosophy and Phenomenological Research.
Schütz publicaria, na sua fase americana, 35 artigos, onze dos quais nessa revista. A partir de 1943 passou a ministrar um curso na Graduate Faculty of Political and Social Science, departamento da Universidade no Exílio, criada em 1933 por Alvin Johnson, no seio da New School for Social Research com o objetivo de acolher intelectuais e estudantes europeus exilados pela guerra.
No final da década de 1960 a obra de Schütz começou a ganhar projeção. Esse processo iniciara com a edição em inglês de seus collected papers, a partir de 1962 - “The Problem of social reality” (vol. 1), “Studies in social theory” (vol. 2) e “Studies in phenomenological philosophy” (vol. 3), ganhando força com as edições americana e britânica da “Aufbau...” – “The Phenomenology of the social world” e com a edição de “Reflections on the problem of relevance”. Porém, esse processo se intensificou, sobremaneira, com a publicação da obra capitular de seus discípulos Peter Berger e Thomas Luckmann – “The social construction of reality. A treatise in the sociology of knowledge” - em 1986.

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