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Os 10 pecados da política cultural do PSDB

Segundo pecado: Ausência de interiorização

A política cultural do PSDB produziu efeitos importantes, a ponto de ter sido, como observamos, um dos temas principais da campanha eleitoral recentemente havida. Porém, o cenário privilegiado – e quase exclusivo – desses efeitos, foi a capital do estado. As regiões do interior do estado foram tratadas como colônias da capital, e não como parte conexa de uma problemática cultural que resulta em variedade, e não em igualdade. É importante observar que a variedade não é, de forma alguma, um problema. Aparentemente, o governo não pôde compreender que a trama da variedade e da diversidade cultural é benéfica e, culturalmente, enriquecedora. Aparentemente, o governo precisou trabalhar com uma perspectiva binária, baseada em oposições elementares e reducionistas, como capital/interior, erudito/popular, paraense/migrante, procurando, por todos os meios, converter o diferente em igual – mesmo que esses meios tenham sido a inanição de recursos, o desprezo e o fechamento ao diálogo.

Os projetos de interiorização que foram elaborados pelos técnicos da Secult foram, sistematicamente, abortados. O modelo da capital foi apresentado, ao “interior”, como um modelo a ser imitado, sem que, no entanto, lhe fosse cedido meios para o fazer.

Comentários

Kenshin disse…
Caro Horácio,
penso que, além de simplesmente uma negligência de cartilha do partido em ordem nacional, a questão da centralização para valorização do espaço da incipiente metrópole é uma herança. A oposição reducionista que comentas é quase tão avassaladora que os partidários desta política a propalam com tal cegueira a fazer inveja a muitos.
É interessante como há um esforço desumanamente aculturador de reafirmar a política cultural junto a uma ordem espacial da verticalidade, como argumenta Milton Santos. A cidade reflete um intensão maior mercadológica e excludente, que não poderia perder de vista o modelo capialista em sua ação na dimensão espacial.
Além disso, tudo o que supostamente vem dos arredores periférios ou distantes da área territorial da cidade, materializa-se por uma prática de subserviência fágica como alude Bauman. Portanto. Como um projeto cultural para um Estado que segue essas características haveria de não reproduzir uma lógica externa? O Pará todo foi projetado para realizar uma pretensão colonizadora. O PSDB na administração que ora passou, nada mais fez que potencializar essa tendência.

Desculpe a intromissão de um aspirante a Geógrafo
Abraços
Rodolfo Braga
hupomnemata disse…
O colonialismo é um movimento vertical, baseado na hierarquização dos poderes configurados num determinado espaço de poder. Acho que podemos dizer isso, não é, Rodolfo? Esse pressuposto hierárquico, uma ordem mental que perpassa as subjetividades de todas as metrópoles, tem um efeito cruel: faz com que os colonizados pensem como os colonizadores, reproduzindo a ordem duas de poderes que estes produziram. Quem sabe podemos falar numa dialética da colonização...

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