Benjamin não critica o tempo e nem, tampouco, a história: o que ele critica é a repetição. A repetição como idéia burguesa de tempo. A repetição como programação, como relógio, o tempo moderno por excelência e que se opõe ao tempo tradicional – o qual pode ser compreendido, também, como o tempo do calendário. De acordo com Olgária Mattos, intérprete de Benjamin, “O tempo dos relógios é o ‘tempo homogêneo e vazio’ que é preenchido qual um recipiente, que vai acomodando, indiferente, acontecimentos que caem ‘dentro dele’. O tempo do calendário, ao contrário, não se desenrola mecanicamente, pontua a existência com ‘dias de recordação’, momentos que capturam o tempo em ‘pontos de concentração’. Nestes dias as coisas relembradas subitamente se tornam ‘atuais’, retornam à existência ‘nos momentos de recordação’. Este é o caráter diferencial do tempo histórico; não a badalada regular do relógio que nivela todas as ocorrências em um contínuo indiferente, mas a súbita pausa do colecionador; não o frio avanço do processo infinito, mas sua transgressão” (MATOS, Olgária: Os Arcanos do Inteiramente Outro: A Escola de Frankfurt, a Melancolia e a Revolução. São Paulo, Brasiliense, 1989. pp. 31-32). O tempo tradicional é contínuo e corresponde a uma eternização do presente. Ao contrário, o tempo mecânico é um tempo metafísico, no qual cada segundo vale por uma certa idéia de futuro, de progresso. Diz Benjamin, na 13ª tese sobre a história: “A idéia de um progresso da humanidade na história é inseparável da idéia de sua marcha no interior de um tempo vazio e homogêneo. A crítica da idéia do progresso tem como pressuposto a crítica da idéia dessa marcha” (BENJAMIN, Walter: “Sobre o Conceito de História”. In: Obras Escolhidas. São Paulo, Brasiliense, 1985. Tese 15, p. 229).
O mundo está estarrecido com com o genocídio Yanomami. As imagens chocantes atravessam o planeta e atestam o que todos já sabiam: houve genocídio. E não há como Jair Bolsonaro não ser imputado por esse crime. Dados obtidos pela plataforma SUMAÚMA mostram que, durante o governo Bolsonaro, o número de mortes de crianças com menos de 5 anos por causas evitáveis aumentou 29% no território Yanomami. Foram 570 crianças mortas, em 4 anos, por doenças que têm tratamento. E isso pode não ser tudo, porque o conjunto das terras indígenas em território brasileiro sofreu, ainda de acordo com o Suamúma, um verdadeiro apagão estatístico durante o governo de extrema direita. O legado de Bolsonaro é um dos mais aviltantes da história do Brasil. Não é de hoje que as terras Yanomami, onde vivem quase 30 mil pessoas indígenas, são agredidas pela especulação do garimpo ilegal, da pecuária ou da cultura do arroz, mas nunca se viu um apoio tão grande do Estado brasileiro a essas atividades....
Comentários
Sou estudante de jornalismo da Unama, e conheci uma aluna sua, obviamente da UFPA, que me cedeu o endereço do seu blog. Desculpe- me a intromissão, mas fiquei muito interessada sobre o assunto de sua tese: 12 anos do PSDB no Pará.
Gostaria de saber como posso lê-la?
Desde já agradeço a atenção, e deixo aqui o meu humilde blog, já que o seu blog é muito interessante.
Lígia Bernar
Fábio.
Valeu por me fazer matar as saudades do Walter Benjamin!
Obrigada por tudo, como sempre te falei!
Abraços!
Aletheia