A situação que descrevemos no post anterior - e que se refere, com efeito, à cena cultural belemense - poderia, na verdade, ser descrita como uma situação em curso, como um momento, como um estado provisório do ser. Não sem contradições, essa situação tem a forma de uma fulguração, de um momento a vir, não obedecendo a um cânone conformado e não possuindo forças analíticas determinantes capazes de institucionalizar, as diversas produções artísticas mencionadas, a um padrão de regularidade convencionado. Fulgurações de um desejo de ser… assim se manifestariam certos projetos sociais : pela via de uma intersubjetividade, na dimensão da intuição, no limbo social que é a criação artística. É certo que virá o tempo da convencionalização, primeira etapa do início do fim de todos os projetos sociais expontâneos, mas no momento é possível ainda observar esse influxo social – que não é, portanto, um projeto social – em sua elaboração expontânea.
Um amigo me pergunta se acho que Lula deve ser candidato a presidente, mesmo com a prisão. Respondo que sim, porque não tem sentido ser diferente. Lula não ser candidato seria de uma deslealdade imperdoável do PT para com ele. A pergunta, na verdade, respondo ao meu amigo, é sobre quem deve ser o vice de Lula, porque quase tão certo como Lula ser o candidato do PT, é a possibilidade de que a justiça eleitoral casse a sua candidatura, sendo lógico, nesse caso, que seu vice assuma a cabeça de chapa. E, como sabemos como o bloco golpista joga, eles provavelmente farão isso o mais tarde possível, procurando inviabilizar que o PT chegue ao segundo turno. Nesse cenário, a tendência é que o PT venha com uma chapa “puro-sangue”. Provavelmente com Haddad para vice. Eventualmente com Jacques Wagner ou Patrus Ananias e, um pouco menos provavelmente, com Celso Amorim. Meu amigo, que não é do PT, viu claros sinais de que Lula, naqueles momentos heróicos antes da prisão, te...
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