A situação que descrevemos no post anterior - e que se refere, com efeito, à cena cultural belemense - poderia, na verdade, ser descrita como uma situação em curso, como um momento, como um estado provisório do ser. Não sem contradições, essa situação tem a forma de uma fulguração, de um momento a vir, não obedecendo a um cânone conformado e não possuindo forças analíticas determinantes capazes de institucionalizar, as diversas produções artísticas mencionadas, a um padrão de regularidade convencionado. Fulgurações de um desejo de ser… assim se manifestariam certos projetos sociais : pela via de uma intersubjetividade, na dimensão da intuição, no limbo social que é a criação artística. É certo que virá o tempo da convencionalização, primeira etapa do início do fim de todos os projetos sociais expontâneos, mas no momento é possível ainda observar esse influxo social – que não é, portanto, um projeto social – em sua elaboração expontânea.
O mundo está estarrecido com com o genocídio Yanomami. As imagens chocantes atravessam o planeta e atestam o que todos já sabiam: houve genocídio. E não há como Jair Bolsonaro não ser imputado por esse crime. Dados obtidos pela plataforma SUMAÚMA mostram que, durante o governo Bolsonaro, o número de mortes de crianças com menos de 5 anos por causas evitáveis aumentou 29% no território Yanomami. Foram 570 crianças mortas, em 4 anos, por doenças que têm tratamento. E isso pode não ser tudo, porque o conjunto das terras indígenas em território brasileiro sofreu, ainda de acordo com o Suamúma, um verdadeiro apagão estatístico durante o governo de extrema direita. O legado de Bolsonaro é um dos mais aviltantes da história do Brasil. Não é de hoje que as terras Yanomami, onde vivem quase 30 mil pessoas indígenas, são agredidas pela especulação do garimpo ilegal, da pecuária ou da cultura do arroz, mas nunca se viu um apoio tão grande do Estado brasileiro a essas atividades....
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