Essa idéia, essa proposição de compreender o que se passa na produção artística de Belém, evoca ainda duas noções : a de razão interna, elaborada por Michel Maffesoli e aquela estranha forma de temporalidade que Walter Benjamin denomina Jetztzeit, ou Tempo-Já, ou agoridade. A razão interna, em Maffesoli, corresponde aos parâmetros do imaginário, do onírico e do lúdico, ou seja, de tudo aquilo que, recusando uma visão étriquée da razão, pode recuperar a razão interna das coisas, mesmo que estas se apresentem sob um aspecto não-racional ou irracional . A razão interna se caracterizaria por um vitalismo próprio, oposto daquele presente na razão separada, tão cara à modernidade e marcada, esta, por um intelectualismo desincarnado e por um desejo de autonomia. Ela equivaleria à noção medieval de logos spermaticos, ou razão seminal, segundo a qual cada indivíduo de um grupo possuiria um germem , uma parcela de um todo social obscuro que, em última instância, seria a própria razão de ser do grupo.
O mundo está estarrecido com com o genocídio Yanomami. As imagens chocantes atravessam o planeta e atestam o que todos já sabiam: houve genocídio. E não há como Jair Bolsonaro não ser imputado por esse crime. Dados obtidos pela plataforma SUMAÚMA mostram que, durante o governo Bolsonaro, o número de mortes de crianças com menos de 5 anos por causas evitáveis aumentou 29% no território Yanomami. Foram 570 crianças mortas, em 4 anos, por doenças que têm tratamento. E isso pode não ser tudo, porque o conjunto das terras indígenas em território brasileiro sofreu, ainda de acordo com o Suamúma, um verdadeiro apagão estatístico durante o governo de extrema direita. O legado de Bolsonaro é um dos mais aviltantes da história do Brasil. Não é de hoje que as terras Yanomami, onde vivem quase 30 mil pessoas indígenas, são agredidas pela especulação do garimpo ilegal, da pecuária ou da cultura do arroz, mas nunca se viu um apoio tão grande do Estado brasileiro a essas atividades....
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