Esse vitalismo, essa razão interna, teria, a nosso ver, um equivalente na noção benjaminiana de agoridade, a qual se refere à fulguração de um futuro nos atos do presente, ou melhor, no sonho em relação ao futuro, a uma situação de futuro, como força capaz de concentrar as energias do presente. A agoridade seria uma suspenção expontânea do real com o fim de alcançar o verdadeiro. Essa suspensão momentânea do real – ou dialética figurativa estaria presente em diversas atividades aparentemente banais da vida quotidiana, tais como o jogo, a brincadeira infantil, o ato sexual e também o ato de contar histórias. A agoridade corresponderia a um ímpeto presente em todo movimento quotidiano que se impõe como histórico (na história pessoal do Sujeito), ou seja, como um ímpeto voltado para o passado ou para o futuro, mas concentrado no presente, no diário, no corriqueiro, no quotidiano, numa percepção repleta de tensão na qual passado e futuro se encontram com o agora, como num relâmpago. É o que Walter Benjamin dizia quando mencionou que cada época sonha com o futuro da próxima e, sonhando, a força a despertar , idéia assimétrica à de Maffesoli em sua proposição de que “c’est toujours en son début qu’une époque est vraiment pense” .
O mundo está estarrecido com com o genocídio Yanomami. As imagens chocantes atravessam o planeta e atestam o que todos já sabiam: houve genocídio. E não há como Jair Bolsonaro não ser imputado por esse crime. Dados obtidos pela plataforma SUMAÚMA mostram que, durante o governo Bolsonaro, o número de mortes de crianças com menos de 5 anos por causas evitáveis aumentou 29% no território Yanomami. Foram 570 crianças mortas, em 4 anos, por doenças que têm tratamento. E isso pode não ser tudo, porque o conjunto das terras indígenas em território brasileiro sofreu, ainda de acordo com o Suamúma, um verdadeiro apagão estatístico durante o governo de extrema direita. O legado de Bolsonaro é um dos mais aviltantes da história do Brasil. Não é de hoje que as terras Yanomami, onde vivem quase 30 mil pessoas indígenas, são agredidas pela especulação do garimpo ilegal, da pecuária ou da cultura do arroz, mas nunca se viu um apoio tão grande do Estado brasileiro a essas atividades....
Comentários
Um breve comentário: tu poderias, por favor, traduzir as citações em outras línguas?
Mesmo que não comprometa o entendimento geral do texto, fica cuirazinha pra entender, sabe...
Até mais.
Só para esclarecer, o comentário acima não foi feito por mim. Que bobagem, que falta de bom senso, que falta de tudo...
Aproveito para lhe avisar que postarei, logo mais, no meu blog a sétima virtude, por Cláudio marinho.
Um abraço!
Luciane Fiuza de Mello.