Essa conjunção de elementos, na verdade, vem ocorrendo desde que deixei a Secom. Estou absorto entre livros e filmes, mas a fundo, mais a fundo, processando a experiência de dois anos no olho do furacão político. Tomado por uma profunda vontade de descansar, surgem, no entanto, os fantasmas dessa experiência. Um pouco do que venho escrevendo neste blog resulta disso, da ambigüidade entre ter tempo para gastar e, ao mesmo tempo, ir lendo à esmo, organizando livros, meu espaço de leitura, os arquivos do computador, ir escrevendo sobre coisas diversas e ir pensando no futuro. Percebo que a diferença entre esta etapa do blog e o que aqui botava há dois anos atrás consiste no advento de uma cristalização maior de meus interesses e, sobretudo, de minha disposição para dialogar e discutir temas que, embora estivessem no horizonte do meu trabalho, sempre ficaram a segundo plano.
Um amigo me pergunta se acho que Lula deve ser candidato a presidente, mesmo com a prisão. Respondo que sim, porque não tem sentido ser diferente. Lula não ser candidato seria de uma deslealdade imperdoável do PT para com ele. A pergunta, na verdade, respondo ao meu amigo, é sobre quem deve ser o vice de Lula, porque quase tão certo como Lula ser o candidato do PT, é a possibilidade de que a justiça eleitoral casse a sua candidatura, sendo lógico, nesse caso, que seu vice assuma a cabeça de chapa. E, como sabemos como o bloco golpista joga, eles provavelmente farão isso o mais tarde possível, procurando inviabilizar que o PT chegue ao segundo turno. Nesse cenário, a tendência é que o PT venha com uma chapa “puro-sangue”. Provavelmente com Haddad para vice. Eventualmente com Jacques Wagner ou Patrus Ananias e, um pouco menos provavelmente, com Celso Amorim. Meu amigo, que não é do PT, viu claros sinais de que Lula, naqueles momentos heróicos antes da prisão, te...
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