Uma das vítimas da crise econômica foi a própria teoria econômica, ou, mais precisamente, a macroeconomia. Quem diz é a última edição de The Economist. Vejam só. O texto cita Paul Krugman, nobel de economia 2008 que, polemicamente, afirmou que a macroeconomia, nos últimos 30 anos, foi na melhor das hipóteses inútil. E, na pior delas, prejudicial. Krugman também diz que é necessário que o macro inclua no seu inventário de análise o elemento “finanças”, e que o contrário também aconteça. Eis uma lição preciosa: não se governa com números se os números não são verdadeiros e nem precisos. Tem que haver uma correlação, as finanças públicas têm que compreender o Estado, o político, o real e o projeto.
Um amigo me pergunta se acho que Lula deve ser candidato a presidente, mesmo com a prisão. Respondo que sim, porque não tem sentido ser diferente. Lula não ser candidato seria de uma deslealdade imperdoável do PT para com ele. A pergunta, na verdade, respondo ao meu amigo, é sobre quem deve ser o vice de Lula, porque quase tão certo como Lula ser o candidato do PT, é a possibilidade de que a justiça eleitoral casse a sua candidatura, sendo lógico, nesse caso, que seu vice assuma a cabeça de chapa. E, como sabemos como o bloco golpista joga, eles provavelmente farão isso o mais tarde possível, procurando inviabilizar que o PT chegue ao segundo turno. Nesse cenário, a tendência é que o PT venha com uma chapa “puro-sangue”. Provavelmente com Haddad para vice. Eventualmente com Jacques Wagner ou Patrus Ananias e, um pouco menos provavelmente, com Celso Amorim. Meu amigo, que não é do PT, viu claros sinais de que Lula, naqueles momentos heróicos antes da prisão, te...
Comentários
A macro já incluiu a dimensão financeira faz mais de 30 anos, é só dar uma olhada nos textos do Hyman Minsky.
O problema do Krugma e da turma ortodoxa da qual ele faz parte (Novos Keynesianos) é que os caras não admitem a pluralidade, isso faz com que se recusem a dialogar com os macroeconomistas Pós-Keynesianos.
A última edição do livro do Mynsky, publicada ano passado no EUa vem com uma citação do The Wall Street Journal:
"Hyman Minsky spent much of his career advancing the idea that financial systems are inherently susceptible to bouts of speculation that, is they last long enough, end in crises... Indeed, the Minsky Moment has become a catch phrase on the Wall Street."
Depois da leitura do Mynsky, uma visita a Jean Kregel e Paul Davidson poderiam ajudar a entender que a macroeconomia não se resume aos ensinamentos ortodoxos.
Vigo, vulgo Almereyda