Neste momento de desobrigação do diploma de jornalismo, convém reiniciar o debate sobre o currículo dos cursos de jornalismo. Não porque precisemos adaptar o curso ao mercado, como, aliás, eu já expliquei aqui e aqui. Mas porque o estado de ebulição em que as faculdades de comunicação e de jornalismo entraram é oportuno para que façamos os ajustes básicos necessário. Bom, eles são vários, mas vou destacar aqui apenas um: a necessidade de centralizar o currículo no tema das convergências em meio digital. Eu me pergunto: fazer jornal experimental, excelente, mas porque não sob a forma de um portal? Aula de telejornalismo, ótimo, mas porque não convergi-la para o mesmo portal? Por que não desenvolver formatos noticiosos experiementais em webtv? Aula de radiojornalismo, muito bem, mas por que não transformar esse potal numa plataforma para webrádios inidividuais ouncoletivas para os alunos? Por que não experimentar novos formatos? E o mesmo quanto à assessoria de imprensa, a teoria, o tcc etc. Impresso, jornal e TV poderiam convergir num movimento contínuo para a internet e vice-versa. Ademais, poderíamos eliminar as divisões entre disciplinas que não são estanques, substituir as fronteiras por redações integradas a produções.
Há alguns dias a jornalista Ana Célia Pinheiro, do blog A Perereca da Vizinha anunciava que começaria uma guerra contra a comunicação do Governo Jatene : Vamos agora jogar num rítmo novo, com algumas “surpresinhas” – ou vocês não gostam de surpresinhas, “coleguinhas”? “Coleguinhas” é um coloquialismo usado pelos jornalistas de Belém para se referirem, com cinismo, ao cinismo de seus colegas, dos quais não se costuma esperar senão o fogo amigo. Os posts começaram, em seguida, construindo um perfil de Orly Bezerra , proprietário da Griffo, a agência de publicidade responsável pelo marketing do PSDB no Pará. Hoje, Ana Célia Pinheiro publicou um post com o levantamento dos repasses de dinheiro público do Governo Jatene para a Griffo : R$ 70 milhões - e penduricalhos, como empregos a parentes. O post também questiona a idoneidade do processo licitatório que levou a Griffo a mais uma situação de dominação das contas da comunicação governamental, no Pará...
Comentários
Não há como discordar que os clics e links sobre bytes concentram e potencializam nossas interações. Porém, ao chegar dos confins do interior do Pará, onde luz ainda há para poucos, celular é notícia e internet, coisa de quem sabe um dia, não posso deixar de pontuar que bem aqui, ao lado deste mundo hegemônico urbano digital, existe um mundo da vida, isolado, para o qual o jornal, ainda que mais que "amanhecido", e a tradicional onda de rádio, são únicos meios de comunicação. O exercício da produção convergente parece sim e deve ser encarado como algo importante, e mais, inescapável. Penso, no entanto, na necessidade de voltarmos nossos esforços de revisão do currículo dos cursos de Jornalismo também para o reforço da Ética, como disciplina transversal ou como seminários permanentes ao longo do curso, e no reforço à atividades e projetos de Extensão que estimulem o engajamento dos jovens profissionais no ofício crítico e criativo do Jornalismo voltado de fato ao interesse público, aqui e acolá, seja por meio das novas ou das velhas mídias.