Pular para o conteúdo principal

Pragmatismo e fidelidade aos princípios

A questão essencial é: o pragmatismo é, de fato, essencial ao poder? Não sei se entendo o que é o pragmatismo. Acho que não. Penso que o pragmatismo não é algo que se associa, exclusivamente, ao curto prazo. Para mim, o pragmatismo real, e o único que conta, é ser fiel à marca e aos princípios. Esse é o maior dos valores em política. É o peso da identidade. Esse valor está no limite oposto do pior dos males em política, que é a ambivalência. Eu próprio, que não tenho fábricas e nem elefantes, ouro ou estanho, e que para sustentar minha família só conto com meu nome e com a palavra que dei – ou ainda, sem desejar parecer arrogante, que com meus princípios - bem sei que esse é o valor fundamental.

Comentários

Anonymous disse…
Fábio, vamos lá mais uma vez..rs: concordo com vc que esta postura imediatista não seja essencial... O problema é que, em geral, é a forma como os "profissionais da política" estão acostumados a operar em seu dia-a-dia. Se vc joga um jogo diferente do que eles estão acostumados, sofrerá com a incompreensão e o descaso... É por isso que muitas vezes só se mantém com os mesmos ideais aqueles que não tem em vista um objetivo imediato, ou seja, não são políticos profissionais... Pois a curto prazo, poucos acreditarão que a sua estratégia será vencedora!! Se tornando uma espécie de figura arriscada politicamente... Exemplo disso foi o caso Gore, que vc muito bem relatou (como será para Marina ano que vem!?..rs). Se ele mantivesse o foco em seu projeto político (causa ambiental), concordo com vc, que no longo prazo poderia sair vitorioso. Talvez perdesse uma eleição ou duas, mas poderia criar credibilidade e daí ganhar outras... (foi o que aconteceu com o Lula!??? pois é essa é uma dúvida que tenho! Não sei se ele ganharia se não mudasse o discurso). É uma questão de estratégia, as vezes dá certo, as vezes não! O que importa, no entanto, e aí concordo plenamente com vc, é a sua honestidade de princípios... Pena que nossas lideranças políticas, preferiam muitas vezes um "poderzinho" na mão do que ideais e somhos voando! Mudam de identidade e endereço se for preciso, mas não largam o osso que, a seus olhos, lutaram muito para conseguir! E tem medo de perder! O Poder, meu caro, o que é o poder!?..rs. Para fazer diferente, tem que ser mais do que um político "normalzinho", tem que ser um Estadista de verdade!! São esses que ficam na história, o resto desaparece quando a fumaça se espalha...

Danilo

Postagens mais visitadas deste blog

Solicitei meu descredenciamento do Ppgcom

Tomei ontem, junto com a professora Alda Costa, uma decisão difícil, mas necessária: solicitar nosso descredenciamento do Programa de pós-graduação em comunicação da UFPA. Há coisas que não são negociáveis, em nome do bom senso, do respeito e da ética. Para usar a expressão de Kant, tenho meus "imperativos categóricos". Não negocio com o absurdo. Reproduzo abaixo, para quem quiser ler o documento em que exponho minhas razões: Utilizamo-nos deste para informar, ao colegiado do Ppgcom, que declinamos da nossa eleição para coordená-lo. Ato contínuo, solicitamos nosso imediato descredenciamento do programa.     Se aceitamos ocupar a coordenação do programa foi para criar uma alternativa ao autoritarismo do projeto que lá está. Oferecemos nosso nome para coordená-lo com o objetivo de reverter a situação de hostilidade em relação à Faculdade de Comunicação e para estabelecer patamares de cooperação, por meio de trabalhos integrados, em grupos e projetos de pesquisa, capazes de...

Eleições para a reitoria da UFPA continuam muito mal

O Conselho Universitário (Consun) da UFPA foi repentinamente convocado, ontem, para uma reunião extraordinária que tem por objetivo discutir o processo eleitoral da sucessão do Prof. Carlos Maneschy na Reitoria. Todos sabemos que a razão disso é a renúncia do Reitor para disputar um cargo público – motivo legítimo, sem dúvida alguma, mas que lança a UFPA num momento de turbulência em ano que já está exaustivo em função dos semestres acumulados pela greve. Acho muito interessante quando a universidade fornece quadros para a política. Há experiências boas e más nesse sentido, mas de qualquer forma isso é muito importante e saudável. Penso, igualmente, que o Prof. Maneschy tem condições muito boas para realizar uma disputa de alto nível e, sendo eleito, ser um excelente prefeito ou parlamentar – não estou ainda bem informado a respeito de qual cargo pretende disputar. Não obstante, em minha compreensão, não é correto submeter a agenda da UFPA à agenda de um projeto específico. A de...

Genocídio Yanomami: Bolsonaro não pode escapar

O mundo está estarrecido com com o genocídio Yanomami. As imagens chocantes atravessam o planeta e atestam o que todos já sabiam: houve genocídio. E não há como Jair Bolsonaro não ser imputado por esse crime.  Dados obtidos pela plataforma SUMAÚMA  mostram que, durante o governo Bolsonaro, o número de mortes de crianças com menos de 5 anos por causas evitáveis aumentou 29% no território Yanomami. Foram 570 crianças mortas, em 4 anos, por doenças que têm tratamento. E isso pode não ser tudo, porque o conjunto das terras indígenas em território brasileiro sofreu, ainda de acordo com o Suamúma, um verdadeiro apagão estatístico durante o governo de extrema direita.  O legado de Bolsonaro é um dos mais aviltantes da história do Brasil. Não é de hoje que as terras Yanomami, onde vivem quase 30 mil pessoas indígenas, são agredidas pela especulação do garimpo ilegal, da pecuária ou da cultura do arroz, mas nunca se viu um apoio tão grande do Estado brasileiro a essas atividades....