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Sobre pelotas e trilhos

Um exemplo de como o Brasil tem dificuldade para agregar valor às suas commodities. Um exemplo que nos diz respeito a nós, paraenses. Já não exportamos somente minério de ferro. Já fazemos pelotas de ferro, como todos sabem. Pelotas agregam valor à produção, todos sabem. A China, dentre outros países, gostam de pelotas de ferro. Usam-nas para fabricar trilhos. Trilhos de ferro. Para fabricar uma tonelada de trilhos, a China compra algo entre 1,7 e 1,8 toneladas de pelotas de ferro. Essa venda rende algo entre US$ 136 e US$ 144. O Brasil, por sua vez, assim como gosta de vender pelotas, gosta de comprar trilhos. Trilhos fabricados na China com o ferro paraense. E paga, por eles, US$ 850 a tonelada. A distância entre o Maranhão e a China é de 16.500 km. Os navios levam pelotas e trazem trilhos, descarregam os trilhos e embarcam mais pelotas. Fazendo os descontos, paga-se algo como US$ 706 por tonelada de trilho. Damos uma sete toneladas de pelotas por uma tonelada de trilhos. Trilhos que geram empregos na China. Em 2009 terão sido, até o fim do ano, US$ 264 milhões investidos na compra de trilhos. Em 2010, seguindo a previsão do PAC a demanda vai dobrar. Em 1012 vai quadruplicar. O Plano Nacional de Logística e Transporte (PNLT), que prevê a conclusão das ferrovias Norte-Sul, Transnordestina, e duplicação da Estrada de Ferro Carajás propõe que a rede ferroviária nacional seja ampliada dos 29 mil km atuais para 52 mil km até 2015. E quando falamos em ferro não estamos falando somente em trilhos, mas também em vagões, locomotivas... Gostaria de dizer: haja trilho!, mas vou dizer somente haja pelotas!

Comentários

Anonymous disse…
Prezado Fábio, esse é o PAC de investimentos do brasil na China. O PAC China; e ainda financiado pelo Pará. Cá entre nós política principalmente do PSDB que privatizou o que pode. Mas essa história ainda não foi modificada pelo PT; que nos deve isto.

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