É a mais polêmica conferência já realizada no Brasil. Mais polêmica porque, em primeiro lugar, os interesses em jogo são os mais obscuros e poderosos, na medida em que comunicação é poder econômico, político, social e cultural. E, em segundo lugar, porque a comunicação perpassa a todos os demais interesses, estando presente em todos os temas e em todas as esferas do interesse social. A proposta de “democratizar a comunicação” é, no mínimo, incômoda para o modelo vigente, centrado no mercado e não no interesse social. Porém, dizemos incômoda, mesmo, para dizer o mínimo, porque, à julgar como o empresariado da comunicação tem procedido, tentando bloquear, atrasar e reduzir o temário da conferência, mais do que incômoda ela é, de fato, ameaçadora.
O mundo está estarrecido com com o genocídio Yanomami. As imagens chocantes atravessam o planeta e atestam o que todos já sabiam: houve genocídio. E não há como Jair Bolsonaro não ser imputado por esse crime. Dados obtidos pela plataforma SUMAÚMA mostram que, durante o governo Bolsonaro, o número de mortes de crianças com menos de 5 anos por causas evitáveis aumentou 29% no território Yanomami. Foram 570 crianças mortas, em 4 anos, por doenças que têm tratamento. E isso pode não ser tudo, porque o conjunto das terras indígenas em território brasileiro sofreu, ainda de acordo com o Suamúma, um verdadeiro apagão estatístico durante o governo de extrema direita. O legado de Bolsonaro é um dos mais aviltantes da história do Brasil. Não é de hoje que as terras Yanomami, onde vivem quase 30 mil pessoas indígenas, são agredidas pela especulação do garimpo ilegal, da pecuária ou da cultura do arroz, mas nunca se viu um apoio tão grande do Estado brasileiro a essas atividades....
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