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As formas da fraude

Pesam cada vez mais as suspeitas de que as fotografias apresentadas como prova de atos de depredação cometidos pelo MST na fazenda Maria Bonita, em Eldorado dos Carajás, tenham sido forjadas. As declarações têm sido desencontradas. A Faepa fala sobre um “relatório preliminar” da Polícia Civil, mas isso não passaria de um laudo pericial do Renato Chaves que comprova que o delito ocorreu, mas não quem o causou. Não houve perícia das fotografias e, sobretudo, da câmera utilizada para fazê-las, tarefa que cabe às delegacias de Conflitos Agrários de Marabá e Redenção.
A possibilidade de que as fotografias sejam falsas é verdadeira e coerente com os movimentos desonestos praticados pelo “fazendeiro” Daniel Dantas no caso da invasão de sua fazenda em abril passado, quando a ação de ocupação do MST foi transformada numa “invasão bárbara”, produto midiático logo desmascarado. Como se sabe, a empresa de Dantas levou jornalistas na sua aeronave até a sede da fazenda e forjou a notícia de que o MST os mantinha como reféns para presenciarem o “fato”. A falsificação de provas e documentos, ação banal para quem já falsificou títulos de propriedade e adquiriu terras de quem detinha, APENAS, o direito de explorar os castanhais nelas existentes, é uma tese a ser considerada.
Ademais, são estratégias coerentes com a auto-vitimização adotada por Daniel Dantas e pela bancada ruralista em relação ao MST. Atos que são, todos eles, apoiados pela Faepa.
Em relação ao mandato de prisão de Charles Trocate, líder do MST, é preciso considerar que, enquanto notícia, parece ter ocorrido antes mesmo de ser real. Ou seja: poder ter havido uma ação orquestrada para gerar a expectativa de prisão e, até mesmo, o efeito da prisão. Antes de tudo um fato midiático cujo objetivo é desmoralizar e enfraquecer o MST.
Tudo isso se reforça quando lembramos que o juiz Gilmar Mendes, presidente do STF, chamado às falas pela bancada ruralista, há poucos dias, mais uma vez,carnavalizou o processo de reintegração de áreas rurais no estado do Pará.
Vamos aguardar o fatos. Precisamos dos laudos, das perícias e de todas as possibilidades, inclusive as mais óbvias – que, elas, distam o MST de qualquer ação de vandalismo – investigadas.

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