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Historinha da crise depois da crise

Prólogo tenso: Ontem peguei um táxi. O motorista estava vaidoso da força do real (a moeda). Encheu-me a paciência com seu ufanismo, dizendo que o real (a moeda) estava “derrubando o dólar”. Meio enigmático, balbuciei que o real é uma coisa e a realidade é outra. Não estava a fim de conversa.
Reflexão profilática: Na realidade, o real não está forte por força da economia brasileira, ainda tão desigual que não permite que uma moeda “nacional” seja realmente forte. O real está forte porque o país tem uma política de juros de curto prazo vantajosa para especuladores internacionais, o que não é, necessariamente, uma coisa boa.
Capítulo 1: A receita para a crise econômica, como se sabe, foi injetar dinheiro vivo no sistema financeiro. Ou seja, dar sustentabilidade, ao mercado, por meio de um estrondoso poder de liquidez.
Capítulo 2: Esperava-se que o sistema financeiro, por sua vez, aplicasse esse dinheiro vivo na produção, ou seja, nas empresas, de forma a proteger o emprego e os níveis de consumo (e conseqüentemente, de mais produção). No entanto, o sistema financeiro não o fez: preferiu, espertamente, especular mais.
Excurso moral: A especulação é uma merda!
Capítulo 3: A onda foi especular no câmbio e seus derivativos, distraindo a opinião pública mundial, que não compreendeu, ainda, que câmbio é a mesma coisa, grosso modo, que títulos de dívida e que fundos de ações.
Capítulo 4: O Brasil até está se dando bem com isso, porque o país tem uma taxa de juros de curto prazo atraente. Tem muito investidor, hoje, trocando Dólar futuro por Real e taxa de juros. Isso se chama “carry trade”. É uma operação de curto prazo baseada na desvalorização da moeda americana e na conseqüente valorização do Real.
Capítulo 5: Só que essas operações financeiras produzem uma nova bolha. Dinheiro de verdade é produção e trabalho. Capital financeiro é especulação. Excesso de liquidez investida em especulação de curto prazo é escassez de solução investida num tsunami de problemas.
Capítulo 6: Quando essa bolha estourar a tendência é que o capital investido fuja, correndo, esvaindo, sem nenhuma ordenação. Provocando altas e baixas extemporâneas do Real e dos títulos brasileiros.
Epílogo moral: Excesso de liquidez é uma forma de diarréia. E uma merda sempre será uma merda!
Adendo enriquecedor: Tem alguém, com quem concordo, bem qualificado, que falou ontem a mesma coisa. Veja aqui e aqui.

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