Para entender melhor o caso: em 1982 o socialista François Mitterand foi eleito presidente da França após quatro candidaturas fracassadas. Era um gênio político, como demonstram diversos de seus feitos, programáticos e eleitorais, mas à força de unificar sua base de apoio em torno de projetos muitas vezes faraônicos, acabou esvaziando a esquerda de sentido. Desacreditados, os socialistas franceses, até hoje, não têm um projeto claro, e parecem vagar entre causas atávicas e uma plataforma multi-uso, adaptável a conjunturas eleitorais que tendem à centralidade das posições. Não obstante, são a única força política no país eleitoralmente consistente e capaz de fazer face à direita. Portanto, o voto nos socialistas não é um voto num projeto, mas sim um voto contra a direita. E, assim, os socialistas se vão mantendo como a segunda força política do país.
Um amigo me pergunta se acho que Lula deve ser candidato a presidente, mesmo com a prisão. Respondo que sim, porque não tem sentido ser diferente. Lula não ser candidato seria de uma deslealdade imperdoável do PT para com ele. A pergunta, na verdade, respondo ao meu amigo, é sobre quem deve ser o vice de Lula, porque quase tão certo como Lula ser o candidato do PT, é a possibilidade de que a justiça eleitoral casse a sua candidatura, sendo lógico, nesse caso, que seu vice assuma a cabeça de chapa. E, como sabemos como o bloco golpista joga, eles provavelmente farão isso o mais tarde possível, procurando inviabilizar que o PT chegue ao segundo turno. Nesse cenário, a tendência é que o PT venha com uma chapa “puro-sangue”. Provavelmente com Haddad para vice. Eventualmente com Jacques Wagner ou Patrus Ananias e, um pouco menos provavelmente, com Celso Amorim. Meu amigo, que não é do PT, viu claros sinais de que Lula, naqueles momentos heróicos antes da prisão, te...
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