Pular para o conteúdo principal

A ferrovia Oeste-Leste e como ela prejudica o Pará

Quem pensa o Pará ao longo prazo deve acompanhar, esta sexta-feira, o lançamento do edital da ferrovia Oeste-Leste, um investimento de R$ 6 bilhões que ligará o litoral baiano a Tocantins, em um trajeto de 1,5 mil km. É que essa ferrovia abre um corredor exportador que prejudica, potencialmente, o tangencial “corredor paraense” que teria suas pontas em Vila do Conde e, sobretudo, no sonhado terminal do Espadarte, em Curuçá.
O oeste baiano tem aumentado sua produção de grãos. Por sua vez, novos projetos de mineração, com grandes investimentos, têm sido abertos no norte de Minas e, também, no oesta da Bahia. É o caso da mina de Caetité, da Bahia Mineração (Bamin), um projeto de US$ 1,6 bilhão, e a Steel do Brasil, US$ 5 bilhões, no norte de Minas Gerais.
O primeiro trecho da ferrovia terá 536 km, e ligará o porto de Ilhéus a Caetité. Ficará pronto em 2012. Entre 2015 e 1016 deverá ficar completa a ferrovia, que ligará o porto de Ilhéus à ferrovia Norte-Sul. Em 2018, segundo estimativa da Valec, a estatal para projetos ferroviários do governo federal, essa ferrovia vai atingir 52 milhões de toneladas de carga transportada – 45 milhões deles em minério de ferro.
Ao se conectar à Norte-Sul – que não vai chegar, tão cedo, a Vila do Conde – é possível que o terminal máster brasileiro acabe mesmo se localizando em Ilhéus e não em Espadarte.

Comentários

Anonymous disse…
Gostaria de saber como o governo do Pará se posiciona em relação ao porto de Espadarte e à extensão da ferrovia Norte-Sul até Belém. Ainda não vi, no governo Ana Júlia, um plano estratégico de desenvolvimento. Tudo bem que tem o eixo dos parques de tecnologia e a usina da Vale em Marabá. Mas, convenhamos, isso não é suficiente. O que vai ser o Pará daqui a 20 anos?

Postagens mais visitadas deste blog

Conjunturas I

Um amigo me pergunta se acho que Lula deve ser candidato a presidente, mesmo com a prisão. Respondo que sim, porque não tem sentido ser diferente. Lula não ser candidato seria de uma deslealdade imperdoável do PT para com ele. A pergunta, na verdade, respondo ao meu amigo, é sobre quem deve ser o vice de Lula, porque quase tão certo como Lula ser o candidato do PT, é a possibilidade de que a justiça eleitoral casse a sua candidatura, sendo lógico, nesse caso, que seu vice assuma a cabeça de chapa. E, como sabemos como o bloco golpista joga, eles provavelmente farão isso o mais tarde possível, procurando inviabilizar que o PT chegue ao segundo turno. Nesse cenário, a tendência é que o PT venha com uma chapa “puro-sangue”. Provavelmente com Haddad para vice. Eventualmente com Jacques Wagner ou Patrus Ananias e, um pouco menos provavelmente, com Celso Amorim. Meu amigo, que não é do PT, viu claros sinais de que Lula, naqueles momentos heróicos antes da prisão, te...

Solicitei meu descredenciamento do Ppgcom

Tomei ontem, junto com a professora Alda Costa, uma decisão difícil, mas necessária: solicitar nosso descredenciamento do Programa de pós-graduação em comunicação da UFPA. Há coisas que não são negociáveis, em nome do bom senso, do respeito e da ética. Para usar a expressão de Kant, tenho meus "imperativos categóricos". Não negocio com o absurdo. Reproduzo abaixo, para quem quiser ler o documento em que exponho minhas razões: Utilizamo-nos deste para informar, ao colegiado do Ppgcom, que declinamos da nossa eleição para coordená-lo. Ato contínuo, solicitamos nosso imediato descredenciamento do programa.     Se aceitamos ocupar a coordenação do programa foi para criar uma alternativa ao autoritarismo do projeto que lá está. Oferecemos nosso nome para coordená-lo com o objetivo de reverter a situação de hostilidade em relação à Faculdade de Comunicação e para estabelecer patamares de cooperação, por meio de trabalhos integrados, em grupos e projetos de pesquisa, capazes de...

A publicidade governamental do Governo Jatene, a Griffo, o jornalismo paraense...

Há alguns dias a jornalista Ana Célia Pinheiro, do blog A Perereca da Vizinha  anunciava que começaria uma guerra contra a comunicação do Governo Jatene :  Vamos agora jogar num rítmo novo, com algumas “surpresinhas” – ou vocês não gostam de surpresinhas, “coleguinhas”? “Coleguinhas” é um coloquialismo usado pelos jornalistas de Belém para se referirem, com cinismo, ao cinismo de seus colegas, dos quais não se costuma esperar senão o fogo amigo. Os posts começaram, em seguida, construindo  um perfil de Orly Bezerra , proprietário da Griffo, a agência de publicidade responsável pelo marketing do PSDB no Pará. Hoje, Ana Célia Pinheiro publicou  um post com o levantamento dos repasses de dinheiro público do Governo Jatene para a Griffo : R$ 70 milhões - e penduricalhos, como empregos a parentes. O post também questiona a idoneidade do processo licitatório que levou a Griffo a mais uma situação de dominação das contas da comunicação governamental, no Pará...