20 abril 2010

Um tetrâmetro trocaico cataléptico

Bom, é para rir, mas para quem quiser levar à sério aqui vai a explicação para o que vem a ser um "tetrâmetro, trocaico cataléptico":


Tetrâmetro: O fato essencial – e torpe – é que cada verso é composto por quatro troquéus. Um troquéu é uma coisa formada por duas sílabas, sendo que a primeira é tônica e a segunda atônica. Coisa típica do inglês: “ti•ger”. Isso é curioso porque a métrica latina sempre opõe o peso relativo de sílabas longas a curtas, ao cpontrário do inglês. Mas, como se sabe, o inglês é uma língua semi-bárbara. Então, fica sendo curioso. Já que cada verso contém quatro troquéus, ele pode ser considerado um tetramétrico. 


Cateléptico: O último troquéu, no entanto, é monossilábico. Ou seja, está incompleto: (“bright“). Esse corte é chamado catalexis. Por isso se diz que o último troquéu é cataléptico.


Trocaico:  É o ritmo. O ritmo do poema, que quase reproduz o andar de um tigre, pé ante pé, sincopado, nessa calma contida dos felinos e, talvez, de certos políticos.  Um elemento de imprevisibilidade, que de vez em quando transgride – por exemplo, na aceleração da quinta estrofe, que se conforma como autêntico verso iâmbico.


O que fascina, no entanto, é a disposição em criar simetrias iâmicas alteradas. Por exemplo, no quarto verso, que sugere um rima aos incautos, entre “Symmetry” e “eye”. Por que aos incautos? Porque não se pode rimar, simplesmente. Ou seja, é uma piada, um toque de humor.

2 comentários:

Anônimo disse...

Professor, o senhor diria então que a ida, de surpresa, da governadora Ana Júlia à casa do seu vizinho, Jader Barbalho, foi em ritmo "trocaico", ou seja, a tigresa desencabulou e terminou por "encabular" o Barbalhão ao surpreendê-lo?

Fabio Fonseca de Castro disse...

Diria. O passo da tigresa...