28 maio 2010

Heranças à Esquerda 37

Esquerdas Brasileiras 8: O PCB 8 – De 1936 a 1947.
De 1936 a 1943 o PCB viveu um momento de refluxo. Após a Intentona, comunistas e tenentistas experimentaram uma perseguição feroz. No caso do PCB, possivelmente a pior de sua história. O núcleo dirigente do partido foi perseguido e parte dele foi exterminado. Porém, mesmo na clandestinidade, o PCB organizou um movimento de solidariedade e defesa da República Espanhola, durante a Guerra Civil.
Com a reabertura democrática do país, iniciada em 43, e com o fim do Estado Novo, em 45, o PCB, de volta à legalidade, começou a desenvolver a estratégia de se tornar um partido de massas. O primeiro passo nessa direção foi, na verdade, espontâneo: ao exigir que o Brasil entrasse na guerra contra os fascistas e ao orientar seus militantes a se alistarem na Força Expedicionária Brasileira, o partido ganhou o respeito de boa parte da opinião pública. E mais ainda quando, ao fim da guerra, muitos dos comunistas que se alistaram retornaram com honrarias oficiais e aclamados como heróis.
O PCB foi reestruturado em agosto de 1943, num congresso que ganhou o apelido de Conferência da Mantiqueira. A partir desse momento, sua tática essencial foi hegemonizar o movimento sindical. O dinamismo intelectual, associado à febre democrática, também conquistou espaços na imprensa progressista e nas artes.
Em 1947 já possuía 200 mil filiados, mas novamente, nesse ano, o partido foi posto na clandestinidade. Eram dias da presidência do marechal Dutra, e o Brasil alinhava-se aos Estados Unidos da doutrina Truman e da guerra fria. Abriu-se mais um período de repressão.
A retomada se dará em 1954, com a volta da legalidade e a realização do IV Congresso do partido. Mas o IV Congresso manteve a postura sectária do partido, a mesma que condenara a obra de Octavio Brandão ao esquecimento prematuro e que negava a possibilidade de um pensamento comunista brasileiro. A mesma postura que advogava um comunismo purista e repudiava toda forma de hibridez no pensamento. A mesma que, simplesmente, ignorou o suicídio de Vargas, ocorrido dois meses antes desse congresso e todo o impacto decorrente desse fato, pois nem uma palavra de análise de conjuntura foi dita no IV Congresso.
Vendo de hoje, tem-se a impressão é que esse novo período de ostracismo impactou demasiadamente no espírito dos comunistas. E já dois anos depois, em 1956, sob o impacto do XX congresso do PCUS e da denúncia do "culto da personalidade de Stalin", o partido se abria numa crise sem precedentes. Todas as tensões e conflitos reprimidos desde o “enquadramento” de 1930, começam a eclodir livremente. E deu para sentir o quão imensa era a variedade dessas tensões.

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