06 julho 2010

Entenda como tucanos e democratas aumentaram em 195,8% a taxa de homicídio de crianças e jovens no Pará

Resumindo algumas informações do Mapa da Violência, citado no post anterior.
Os dados mais recentes são referentes ao ano de 2007. Observando a linha histórica que vai de 1997 até esse ano, temos o resultado da política demo-tucana de segurança pública. Uma década perdida para o Pará. Nesse tempo, o estado passou da condição de 20º estado mais violento do país para a de 7º mais violento.
As taxas de homicídio para cada grupo de 100 mil habitantes subiram 130,3% na década demo-tucana. Em Belém, exclusivamente, elas subiram 74,6%. Considerando a região metropolitana de Belém, o crescimento do número de homicídios na década tucana foi de 121,8%, o segundo maior do Brasil.
O maior sinal de falta de compromisso e de incompetência dos tucanos, no entanto, se dá quando se lê os dados referentes aos homicídios de crianças e adolescentes. Na faixa da população que tem entre 0 e 19 anos, o número de homicídios cresceu, durante a década demo-tucana, 195,8%. Em 2006, por exemplo, 352 crianças e adolescentes foram assassinados no Pará. Foi o quinto maior crescimento desses índices, dentre os estados brasileiros. Em Belém, essa variação foi de 60,4% e na região metropolitana foi de 122,5%. Para se ter um elemento de comparação, poide-se observar que, em cidades como Rio de Janeiro e São Paulo, houve quedas expressivas nas taxas de homicídio de crianças em jovens no mesmo período: - 31,6% e – 65,5%, respectivamente.

Como o Pará chegou a essa tragédia? Olhem para os governos do PSDB e do DEM que eles dão a receita perfeita para matar crianças e jovens: sucatear as escolas, desgastar a carreira docente, ausência de políticas para a juventude, esporte e lazer, política cultural que perde de vista seu compromisso social, política de comunicação que se pretende como marketing, e não como política social, esquecer das políticas de saneamento e moradia. Sim, e além disso passar dez anos, dez anos inteiros, sem aumentar o efetivo policial, sem comprar equipamentos e sem treinar as polícias.

8 comentários:

Anonymous disse...

Parte 3:

Agora, me diga, esse potencial de destruição da sociedade é privilégio de alguns partidos políticos ou resulta das distorções da política, do político, do público, as quais nos acostumamos a assistir e mesmo a pactuar, como se fossem “naturais” em nome da governabilidade e de supostos projetos de governo , sempre considerados transformadores, ao menos aos olhos de seus planejadores?
Realmente, eu não consigo ver sentido em usar partidos como categorias dessa análise política. Pode ser fruto de uma "inconsistência" intelectual minha, mas me atrevo a questionar se outras categorias não nos ajudariam a entender melhor as rupturas e continuidades históricas e políticas que se dão no nosso estado.
Precisamos de novas enzimas para "ruminar" adequadamente essa realidade truncada, que nos mantém ora perplexos ora paralisados, enquanto o tempo e as possibilidades de mudanças escoam ralo abaixo, tornando inclusive a nossa capacidade de predição cada vez mais pessimista, quando não embotada.

Anonymous disse...

Parte 2:

Como apontou o Barbero numa entrevista ao Roda Viva há alguns anos, na América Latina vivemos uma crise que abarca não apenas a política, mas o político.
Vejo com ressalvas as críticas em relação ao modus operandi antigo, quando muito disso ainda se perpetua, independente de quem está no governo. Os nossos grupos políticos estão viciados e, do ponto de vista ético, certas alianças e coalisões inter e intrapartidárias são injustificáveis, sendo mais abusivos ainda os desdobramentos disso na realidade, no que tange o estabelecimento de políticas que afetam – ou deixam de afetar como deveriam – a vida do cidadão comum, acostumado a não tirar nenhum proveito e nem usufruir dos serviços e as benesses que deveriam ser públicos.
As elites econômicas são as mesmas e elas têm um poder enorme no cenário de tomada de decisões, mantendo-se como “posição” independente dos partidos que estejam no poder. Elas definem regras quem poucos ousam confrontar.

Anonymous disse...

Pelo tamanho do texto, vou postar o meu comentário em partes:

- Parte 1:

Sim, conhecemos nossos problemas históricos e sabemos bem dar nome aos "bois", apontar os responsáveis por nossas mazelas sociais.
Mas, tratando-se de partido, questiono se o governo petista promoveu realmente uma ruptura com o modo de fazer política das outras legendas e/ou das gestões anteriores.
As mudanças necessárias - aquelas de longo prazo que não rendem votos imediatos nem são tão atraentes nos jornais institucionais - foram e estão sendo feitas efetivamente a ponto de nos tranquilizar a respeito de melhora dos indicadores para os próximos anos ou décadas. Duvido muito.
Além disso, falar de comunicação que se pretende como marketing depois da sua saída do governo, tal como foi, parece brincadeira. De mau gosto.
Nos moldes atuais, o uso político de todo aparato técnico da Comunicação pelo governo não pode ser tratado lá como uma política pública de interesse social, que mereça ser tratada como um ponto a favor dessa gestão em detrimento da anterior.
Ainda que os avanços existam em termos de profissionalização, há distorções entre o potencial que essas políticas teriam e a sua função atual.

Anonymous disse...

Sim, conhecemos nossos problemas históricos e sabemos bem dar nome aos "bois", apontar os responsáveis por nossas mazelas sociais.
Mas, tratando-se de partido, questiono se o governo petista promoveu realmente uma ruptura com o modo de fazer política das outras legendas e/ou das gestões anteriores.
As mudanças necessárias - aquelas de longo prazo que não rendem votos imediatos nem são tão atraentes nos jornais institucionais - foram e estão sendo feitas efetivamente a ponto de nos tranquilizar a respeito de melhora dos indicadores para os próximos anos ou décadas? Duvido muito.
Além disso, falar de comunicação que se pretende como marketing depois da sua saída do governo, tal como foi, parece brincadeira. De mau gosto.
Nos moldes atuais, o uso político de todo aparato técnico da Comunicação pelo governo não pode ser tratado lá como uma política pública de interesse social, que mereça ser tratada como um ponto a favor dessa gestão em detrimento da anterior.
Ainda que os avanços existam em termos de profissionalização, há distorções entre o potencial que essas políticas teriam e a sua função atual.
Como apontou o Barbero numa entrevista ao Roda Viva há alguns anos, na América Latina vivemos uma crise que abarca não apenas a política, mas o político.
Vejo com ressalvas as críticas em relação ao modus operandi antigo, quando muito disso ainda se perpetua, independente de quem está no governo. Os nossos grupos políticos estão viciados e, do ponto de vista ético, certas alianças e coalizões inter e intrapartidárias são injustificáveis, sendo mais abusivos ainda os desdobramentos disso na realidade, no que tange o estabelecimento de políticas que afetam – ou deixam de afetar como deveriam – a vida do cidadão comum, acostumado a não tirar nenhum proveito e nem usufruir dos serviços e as benesses que deveriam ser públicos.
As elites econômicas são as mesmas e elas têm um poder enorme no cenário de tomada de decisões, mantendo-se como “posição” independente dos partidos que estejam no poder. Elas definem regras quem poucos ousam confrontar.
Agora, me diga, esse potencial de destruição da sociedade é privilégio de alguns partidos políticos ou resulta das distorções da política, do político, do público, as quais nos acostumamos a assistir e mesmo a pactuar, como se fossem “naturais” em nome da governabilidade e de supostos projetos de governo , sempre considerados transformadores, ao menos aos olhos de seus planejadores?
Por favor, me dê uma aula de Sociologia, Ciência Política ou mesmo uma bofetada (teórica, no caso), se for preciso e puder responder a essas questões que muito me angustiam, como cidadão e ser humano.

Anonymous disse...

Querido Fábio, é uma pena que não possamos ter o prazer de conhecer o autor dos comentários acima. Mas aproveito o espaço para parabenizá-lo, seja ele quem for.
Luíza.

Francisco Rocha Junior disse...

Caro Fábio,

Como o espaço do teu blog tem um selo Creative Commons, vou me permitir levar a discussão iniciada pelo teu post e muito bem seguida pelos comentários acima ao Flanar.

Tornar público este debate é importantíssimo, em tempos de eleições.

Abraço.

Fabio Fonseca de Castro disse...

Caro Francisco,
Fique a vontade sempre.
Abc

Fabio Fonseca de Castro disse...

Prezado Anônimo das 22:48,
Muito obrigado por seu. É ótimo receber uma colaboração consistente e reflexiva como a sua. Tenho que pensar antes de responder. Retomo contado em breve.