Rue de Saint-Guillaume, Paris. De um lado, o Instituto de Altos Estudos Sobre a América Latina e o Instituto Internacional de Direito Comparado. De outro, a Faculdade de Ciências Políticas de Paris, a impressionante Sciences Po. Minha rua durante dois anos. Máquinas de café, território internacional neutro, o bar da esquina, as imensas bibliotecas, sujeitos estranhos e uma impressão de mundo. Vaguei entre esses prédios like a rolling stone, durante dois inteiros anos. Num dia cheguei por lá e havia ninguém menos que Mikhail Gorbatchev para dar uma palestra. E eu nem tinha sido avisado. Coisas banais para eles, e, felizmente, não para mim. Outro dia, a rue de St-Guillaume foi ocupada por um movimento grevista, a greve mais simpática que já vi na vida: greve dos coletores de impostos. Curiosamente, eu pensava que estava olhando para o norte quando olhava para o sul. Reperdi-me incrivelmente nessa rua de apenas duas quadras. Saudade.
Um amigo me pergunta se acho que Lula deve ser candidato a presidente, mesmo com a prisão. Respondo que sim, porque não tem sentido ser diferente. Lula não ser candidato seria de uma deslealdade imperdoável do PT para com ele. A pergunta, na verdade, respondo ao meu amigo, é sobre quem deve ser o vice de Lula, porque quase tão certo como Lula ser o candidato do PT, é a possibilidade de que a justiça eleitoral casse a sua candidatura, sendo lógico, nesse caso, que seu vice assuma a cabeça de chapa. E, como sabemos como o bloco golpista joga, eles provavelmente farão isso o mais tarde possível, procurando inviabilizar que o PT chegue ao segundo turno. Nesse cenário, a tendência é que o PT venha com uma chapa “puro-sangue”. Provavelmente com Haddad para vice. Eventualmente com Jacques Wagner ou Patrus Ananias e, um pouco menos provavelmente, com Celso Amorim. Meu amigo, que não é do PT, viu claros sinais de que Lula, naqueles momentos heróicos antes da prisão, te...

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