Rue de Saint-Guillaume, Paris. De um lado, o Instituto de Altos Estudos Sobre a América Latina e o Instituto Internacional de Direito Comparado. De outro, a Faculdade de Ciências Políticas de Paris, a impressionante Sciences Po. Minha rua durante dois anos. Máquinas de café, território internacional neutro, o bar da esquina, as imensas bibliotecas, sujeitos estranhos e uma impressão de mundo. Vaguei entre esses prédios like a rolling stone, durante dois inteiros anos. Num dia cheguei por lá e havia ninguém menos que Mikhail Gorbatchev para dar uma palestra. E eu nem tinha sido avisado. Coisas banais para eles, e, felizmente, não para mim. Outro dia, a rue de St-Guillaume foi ocupada por um movimento grevista, a greve mais simpática que já vi na vida: greve dos coletores de impostos. Curiosamente, eu pensava que estava olhando para o norte quando olhava para o sul. Reperdi-me incrivelmente nessa rua de apenas duas quadras. Saudade.
O mundo está estarrecido com com o genocídio Yanomami. As imagens chocantes atravessam o planeta e atestam o que todos já sabiam: houve genocídio. E não há como Jair Bolsonaro não ser imputado por esse crime. Dados obtidos pela plataforma SUMAÚMA mostram que, durante o governo Bolsonaro, o número de mortes de crianças com menos de 5 anos por causas evitáveis aumentou 29% no território Yanomami. Foram 570 crianças mortas, em 4 anos, por doenças que têm tratamento. E isso pode não ser tudo, porque o conjunto das terras indígenas em território brasileiro sofreu, ainda de acordo com o Suamúma, um verdadeiro apagão estatístico durante o governo de extrema direita. O legado de Bolsonaro é um dos mais aviltantes da história do Brasil. Não é de hoje que as terras Yanomami, onde vivem quase 30 mil pessoas indígenas, são agredidas pela especulação do garimpo ilegal, da pecuária ou da cultura do arroz, mas nunca se viu um apoio tão grande do Estado brasileiro a essas atividades....

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