09 setembro 2010

Para começar a discutir a Funtelpa 3

A Funtelpa, a meu ver, tem um problema. Trata-se de um problema de fundo, que diz respeito à sua própria fundação como emissora “cultural”. Pretendo discutir isso mais a frente, e só antecipo, aqui, essa observação, porque preciso dela para dizer que seria possível ter tido um projeto para a Funtelpa. Porém, o que estou fazendo aqui, nestes posts, é “começar a discutir a Funtelpa”.
Gostaria de separar as questões “de fundo” e de “superfície” (ou de “começo”), para colocar algo essencial: não teria sido necessário desmontar intelectualmente a Funtelpa para conduzir uma total renovação da Funtelpa.
Ou seja, o problema não está nas pessoas. Nunca esteve. A equipe da Funtelpa teria, na verdade, a solução para o problema real da emissora.
 E, por resultado, tem-se, agora, um duplo problema: uma emissora sem conteúdo e, ao mesmo tempo, sem capital intelectual.
  

15 comentários:

José Carlos disse...

Fabio, essa questão é muito séria e tu sabes disso. Muito interessante se começar a discutir a Funtelpa, mesmo que seja tão tarde. Ou tarde demais... Por que se transformou numa "emissora sem conteúdo e, ao mesmo tempo (acrescento: e, pior...!), sem capital intelectual"? Qual a causa básica dessa realidade?

Anônimo disse...

Fábio,

Quer dizer que hoje, quem trabalha na Funtelpa não faz um trabalho que presta? E outra, essa sua visão de comunicação é bem elitista...Afinal, quando foi que a Funtelpa teve um "Capital Intelectual"? Pode traduzir isso??? Abraços.

Paulo Pereira.

Cláudia Saldanha disse...

Caro professor Fábio,
Acho muito complicado o senhor dizer que não existe capital intelectual na Funtelpa. Muitos de nós, incluindo eu, fomos seus ex-alunos e me sinto muito bem formada por ter o privilégio de poder ter participado de aulas suas. Para mim sem média alguma (e não tenho porque fazer isso)o senhor foi o melhor professor que tivemos a UFPA. Só acho injusto dizer que na Funtelpa não há capital intelectual, pois muitos de nós - seus ex-alunos - trabalhamos lá por acreditar na Fundação independente de questões partidárias. Dentro do que podemos, sei que muita gente quer fazer um bom trabalho. Vamos ter cuidado com essas questões que acabam colocando todos os funcionários num parâmetro que não é o ideal nem o real.
Temos profissionais excelentes só para citar uma: Linda Ribeiro, minha amiga com a qual aprendi muito e admiro muito também.
Abraços.

Fabio Fonseca de Castro disse...

Olá Claudia,
Veja bem, não disse que a Funtelpa não tem capital intelectual, mas que ela perdeu capital intelectual. É diferente, não é? Perder CI não significa perder tudo, mas perder parte.
Tenho certeza do que vc diz a respeito da disposição de muita gente daí estar disposta a fazer um bom trabalho.

Fabio Fonseca de Castro disse...

Caro José Carlos,
Sempre boa sua visita. Estes posts dizem respeito a "para começar a discutir". As razões acima disso (ou antes) são profundas, e chageramos lá, aos poucos.

Anônimo disse...

Caro professor Fábio,

Assim como a Cláudia Saldanha,acima, também fui seu aluno na UFPA e trabalho na Funtelpa. Acho injusto o senhor pregar que lá na Fundação não há capital intelectual. Fazemos o possível, e até o impossível para levar aos telespectadores uma concepção de tv pública (que até agora muitos de nós ainda nem sabe o que é). O senhor já foi secretário de comunicação e deveria ter atentado para essa questão há mais tempo. Agora, essa questão sobre capital intelectual e conteúdo só vamos poder discutir realmente quando alguém chegar a conclusão do que é uma emissora pública de televisão. Mas enquanto isso não chega, vamos rotulando que todas elas não possuem 'capital intelectual' e 'conteudo'. É isso?

Cláudia Saldanha disse...

Obrigada professor por responder :)

Fabio Fonseca de Castro disse...

Prezado Anônimo das 23:06,
Leia a resposta que dei à Claudia. Repito: não disse que a Funtelpa não tem CI, mas sim que ela perdeu CI. Nas duas últimas semanas eu perdi 2 kg. Isso não quer dizer que fiquei sem nenhuma. Por sinal, ainda tenho muitos. Entendeu?

Em relação a meu papel como secretário de comunicação, veja o que respondi a alguém, antes tb. Repito: Atentei para essa questão, sim, escrevi sobre isso e debati isso até mesmo antes de ser secretário...

E lembre que ser secretário de comunicação não significa (e nem deve) determinar a ação da Funtelpa. Afinal, é uma TV pública, não é?

Porfim, em relação a dizer que estou "rotulando" é demais... Então não se pode debater, discutir, colocar idéias?

Ora, estou discutindo, de fato, o que deve ser uma TV pública...

Anônimo disse...

Ei, gente! Vamos primeiro aprender a ler direito. Ou seja, entender o que está escrito. O Professor deixou claro que o problema "não está e nunca esteve nas pessoas", que as pessoas, ao contrário, são a solução. Temos que aprender também a ler as entrelinhas. Às vezes, o que não está escrito, explicitamente, é o verdadeiro X da questão. Vamos da uma ré bacana e pensar um pouco? quem é a responsável pela desmontagem,hein,hein...?

Anônimo disse...

Professor, não sei se é do seu conhecimento. Mas uma das aberrações praticadas na Funtelpa foi a mudança da personalidade jurídica. Quando a empresa passou a ser Fundação Paraense de Radiodifusão, O servidores antigos, todos, não foram incluídos na nova empresa, pois teriam seus salários atualizados sob a nova ordem. Só foram incluídos os DAS e contratados pela atual gestão. O sindicato está com ação na justiça para tentar resolver a questão. Um verdadeiro absurdo! E ninguém toma uma providência, que governo é esse, professor, que não consegue evitar esses desmandos?

Anônimo disse...

Prezado professor Fábio,
vejo na cidade um estardalhaço por causa de seus posts sobre a Funtelpa; então vim lê-los. Ora, você não escreveu nada de mais, nem sequer uma rala crítica sobre qualquer gestão na Funtelpa, seja do PSDB ou do PT. E para a reeleição da Ana Júlia será ótimo você pautar uma discussão para realmente levarmos, nós aqui da Funtelpa, uma verdadeira comunicação popular; uma comunicação com conteúdo - coisa que a Funtelpa nunca fez na sua história.
Isso o PT no governo deve fazer, e acreditamos que somente o PT tem condições de fazer isso. Uma pena que a professra Regina não tenha conseguido. Se uma Tv Pública pode existir, ela só pode existir com um governo de esquerda, um governo democrático. torceremos para que a governadora Ana Júlia depois de reeleita mude essa história. Prefiro não me identificar para não sofrer retaliações internas. Mas agradeço as sua palavras e essa discussão.

Anônimo disse...

Se a governadora precisar dos votos dos servidores da Funtelpa, não será reeleita, podem ter certeza! Por lá o estrago foi grande e a responsabilidade, ao fim e ao cabo, é dela.

Anônimo disse...

Fui aluna do Fábio e concordo com tudo que ele disse. Meu sentimento em relação a Funtelpa é de frustração. Nesta gestão parece que as boas ideias foram relegadas a segundo plano e qualquer criatividade esmagada. Também senti muito a perda de grandes pensadores da TV, alguns injustamente, outros porque não aguentaram esta maré...

Danielle Redig disse...

Ao anônimo das 23:06 e demais,

Apenas uma informação, durante muitos anos, os funcionários da TV Cultura discutiram longamente sobre o que é uma TV Pública. Ou seja, muita gente sabe muito bem o que é uma TV Pública. Existem diversos modelos a serem copiados ou para servir de inspiração.
Um dos preceitos básicos é que a produção tenha qualidade e conteúdo de interesse público. Ou seja, os programas, apresentadores, conteúdos e etc não podem se basear na vontade de um diretor, presidente ou até mesmo do governador ou governadora. As notícias devem ser pautadas pelo que interessa ao público e, principalmente, garantindo que esse público possa refletir sobre aquela notícia. Ou seja, não vale só o acidente em si, o sangue, quem bateu e etc...mas todo o contexto que gerou o acidente até para mostrar ao telespectador como o acidente poderia ser evitado (é um exemplo simples, mas que eu acredito que dê noção do que estou falando).
O que estamos vendo ao longo dos anos, é o contrário. A programação é pautada no que o diretor quer ou nas pautas que interessam ao presidente de um órgão ou outro. O que o público quer nem sempre vai para o ar. Um outro exemplo é o fato de que muitas vezes, assume um novo presidente, muda toda a programação para que a TV Cultura tenha a cara da nova administração...mas e o público, ele gostava da programação? achava que era de interesse público????
Não sou especialista no assunto, mas me incluo entre as pessoas que durante 11 anos discutiu e tentou colocar na prática o conceito de TV Pública.
Que fique claro, não tenho nenhum interesse em criar polêmicas ou causar incômodo a alguém. Quero apenas contribuir com uma discussão que me interessa muito. Temos excelentes profissionais na Funtelpa que acreditam que é possível ir muito além.
Querido professor Fábio, como sempre é um prazer ler o que você escreve. Parabéns pela reflexão. Vamos em frente!

Anônimo disse...

Muito do que eu ouvia sobre a Funtelpa caiu por terra depois que entrei lá.
O anseio político do PT em mudar o que foi feito no governo anterior acabou com muita coisa boa que era produzida lá.
Trabalhando na TV eu pude notar que o diretor Dimitri Maracajá - que Deus o tenha- era um cara despreparado para ocupar o referido cargo.
Muitos programas bons foram extintos por ele e a desculpa era sempre a mesma: redução de custos por causa da "crise".
Vejam vocês, a mesma desculpa não impediu o governo de encher a Funtelpa com os DAS do PT, muitos sem a menor noção do que era o trabalho por lá.
O que me entristece é que antes de mais nada eu sempre ouvi que ali era uma verdadeira "escola", onde todo bom jornalista paraense aprendeu algo um dia.
Lamentável que a professora Regina não tenha conseguido enfrentar a pressão a que foi submetida, mas o fato é que se a governadora depender dos servidores da Funtelpa para se reeleger certamente perderia feio.